Novo Secretário de Saúde do Amazonas é sócio de empresa que recebeu R$ 78 milhões do Governo do Estado

Amazonas – A recente troca de comando na Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) traz à tona um potencial conflito de interesses. O médico cirurgião cardiovascular Luís Alberto Saraiva Santos, nomeado pelo governador Roberto Cidade (União Brasil) para chefiar a pasta, é um dos sócios da SOCCEAM – Cirurgia Cardiovascular do Amazonas Ltda. Um levantamento próprio, feito com base em dados dos Portais da Transparência do Governo Federal e do Amazonas, além de documentos da própria secretaria, revela que a empresa recebeu cerca de R$ 78 milhões em repasses públicos entre 2017 e 2026.

Especializada em procedimentos cardiovasculares de alta complexidade, a SOCCEAM atua diretamente como prestadora de serviços para a rede estadual de saúde. A análise da série histórica dos pagamentos mostra uma curva de crescimento acentuada nos últimos anos: até 2022, os repasses anuais flutuavam entre R$ 4,8 milhões e R$ 6,9 milhões; em 2023, no entanto, o faturamento da empresa junto ao Estado deu um salto expressivo, atingindo R$ 13.647.896,51 — patamar que tendeu a se estabilizar nos anos seguintes.










A nomeação de Luís Alberto Saraiva Santos foi oficializada pelo Governo do Amazonas por meio de nota da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom-AM). O médico assume a vaga deixada por Nayara Maksoud com a missão dada pelo governador de dar continuidade aos projetos prioritários da pasta. Entre as metas estabelecidas estão a expansão da assistência médica no interior do estado, a ampliação do programa de Telessaúde, o fortalecimento do sistema de UTIs aéreas e a implantação de novas estruturas hospitalares.
Paralelamente à chefia da SES-AM, o cirurgião acumula outras funções públicas relevantes. Documentos oficiais datados de 29 de maio indicam que Luís Alberto também foi designado como vice-supervisor do Programa de Residência Médica em Cirurgia Cardiovascular da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Até o momento, o governador Roberto Cidade e o secretário Luís Alberto não se pronunciaram sobre os repasses.








