Licitação de R$ 3,2 milhões para limpeza urbana em Urucurituba levanta dúvidas na gestão de Leôncio Tundis
Por Correa em 25 de março de 2026 às 18:04

Amazonas – O prefeito Leôncio Tundis (PT-AM), do município de Urucurituba, está no centro de questionamentos após a publicação de um contrato que prevê o pagamento de mais de R$ 3,2 milhões por serviços de limpeza urbana. O documento, divulgado no Diário Oficial dos Municípios (DOM), é resultado do Pregão Eletrônico nº 001/2026 e levanta dúvidas sobre transparência, detalhamento e competitividade no processo.
De acordo com a publicação, a contratação prevê a execução de uma série de serviços, incluindo varrição de vias públicas, capinação, roçagem, pintura de meio-fio, poda de árvores, desobstrução de bocas de lobo e valas, além da manutenção de lixão e outras atividades correlatas. Todos esses serviços foram agrupados em um único item, sem discriminação individual de custos ou quantitativos.
Na prática, a forma como o contrato foi estruturado impede a identificação precisa de quanto será gasto em cada tipo de serviço. Especialistas em gestão pública apontam que esse tipo de modelagem reduz a transparência e dificulta o controle social, já que não há como acompanhar, de forma clara, a execução contratual.

Contrato milionário levanta suspeitas
Outro ponto crítico é a ausência de dados essenciais no documento. Não há informações sobre a quantidade de quilômetros de ruas que serão atendidos, o número de equipes envolvidas, a frequência dos serviços ou a estimativa de intervenções como podas e limpezas. Sem esses parâmetros, torna-se inviável avaliar se o valor contratado é compatível com a realidade do município ou se há indícios de sobrepreço.
Apesar do valor milionário, o processo não apresenta memória de cálculo que justifique os R$ 3,2 milhões. Não há detalhamento de despesas com mão de obra, combustível, equipamentos ou questões logística, itens fundamentais para a composição de custos em contratos desse tipo.
A ausência dessas informações reforça as dúvidas sobre a adequação do valor e a economicidade da contratação, especialmente em um município de pequeno porte.

Empresa contratada
Outro aspecto que chama atenção é o fato de todos os serviços serem executados por uma única empresa: a RBD Ambiental Assessoria e Consultoria Ltda., sediada em Barcelos. Não há informações claras no documento sobre a concorrência no certame, como número de participantes ou lances apresentados.

A concentração de um contrato dessa magnitude em um único fornecedor levanta questionamentos sobre a competitividade da licitação e a capacidade operacional da empresa para atender toda a demanda prevista.
A empresa, inscrita no CNPJ 28.682.872/0001-04, foi fundada em 2017 e tem como principal atividade a coleta de resíduos não perigosos.
Contexto local
Urucurituba está localizada a cerca de 298 quilômetros de Manaus, próxima aos municípios de Itacoatiara e Urucará. Com uma população estimada em quase 24 mil pessoas, o município possui características de interior, com comunidades em sua maioria humildes e dependentes de serviços públicos essenciais.

Diante desse cenário, o volume do contrato chama ainda mais atenção pelo impacto direto no orçamento municipal. Para uma cidade de pequeno porte e com limitações estruturais, a destinação de mais de R$ 3,2 milhões para serviços de limpeza urbana levanta questionamentos sobre a real necessidade e a proporcionalidade dos valores envolvidos.
Com as inconsistências apontadas, o caso pode atrair a atenção de órgãos de controle, como o Ministério Público e tribunais de contas, especialmente pela falta de detalhamento técnico e financeiro no processo licitatório. Em meio a tantas lacunas, fica a dúvida: o valor contratado reflete, de fato, a realidade do município ou há algo que ainda precisa ser melhor explicado?








