Ibaneis Rocha nega interferência em compra do Master e dispara: “Não sei nem passar Pix”

Brasil – O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), quebrou o silêncio sobre a polêmica tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Em entrevista exclusiva concedida nesta sexta-feira (27/3), o chefe do Executivo local buscou se distanciar das decisões técnicas que levaram ao negócio — posteriormente vetado pelo Banco Central — e afirmou que sua compreensão sobre o sistema bancário é limitada.
“Eu sou meio analógico ainda. Não tenho capacidade técnica de avaliar se aquela operação era correta ou não. Para você ter ideia, não sei nem passar um Pix”, declarou Ibaneis, ressaltando que suas finanças pessoais são geridas por familiares.
Almoço, vinhos e aviões
Ibaneis negou qualquer proximidade prévia com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e figura central nas investigações. O governador confirmou ter participado de um almoço na residência do empresário, em Brasília, mas garantiu que o tema da transação bancária sequer entrou na pauta.
“Nunca tinha ouvido falar o nome de Daniel Vorcaro e Banco Master na história. No almoço, ficamos falando sobre aviões e vinhos. Eu estava acompanhado da minha esposa, do meu sócio e do meu filho. Recebo empresários com naturalidade”, explicou.
Segundo o governador, o convencimento sobre a viabilidade da compra veio diretamente de Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB. A promessa era de que a fusão transformaria a instituição brasiliense no sexto maior banco do país, sem a necessidade de aportes financeiros do GDF.
O colapso da operação
A situação mudou drasticamente em novembro de 2025, quando o Banco Central determinou a liquidação do Master e as investigações sobre carteiras de crédito falsas, estimadas em R$ 16 bilhões, vieram à tona. Ibaneis relatou ter alertado Paulo Henrique quando os problemas começaram a se avolumar, sugerindo que ele abandonasse o projeto, mas o conselho não foi seguido a tempo de evitar o desgaste jurídico.
Apesar do afastamento de Paulo Henrique pela Operação Compliance Zero, o governador manteve um tom de lealdade ao ex-aliado: “Continuo confiando no Paulo. Ele tem como explicar tudo o que fez lá dentro”.
Contexto
A compra de 58% do capital do Master pelo BRB foi o estopim para uma crise institucional que resultou em operações da Polícia Federal e na prisão de Vorcaro. Em depoimentos anteriores, a defesa de Paulo Henrique Costa sustentou que o banco agiu com diligência ao identificar atipicidades e que buscou proteger os ativos do BRB com a substituição de garantias.








