Herança maldita: trazida no Governo Wilson Lima para gerenciar hospitais do AM, OSS Agir é investigada pela PF em Goiás

Amazonas — A Organização Social de Saúde (OSS) Agir, que recentemente assumiu a gestão de grandes unidades de saúde no Amazonas sob um contrato bilionário, tornou-se o centro de um escândalo nacional. No último dia 15 de abril, a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram operações para investigar suspeitas de irregularidades em contratos geridos pela entidade em Goiás.
O contraste do “bilhão” vs. o café da manhã
No Amazonas, a chegada da Agir no final de 2024 foi vendida pelo governo de Wilson Lima como uma solução para a eficiência hospitalar. No entanto, o cenário atual é de precarização. No dia 5 de março de 2026, trabalhadores do Complexo Hospitalar Sul (que inclui o HPS 28 de Agosto e o Instituto Dona Lindu) foram surpreendidos com a suspensão do café da manhã.
A empresa goiana justificou o corte alegando “responsabilidade na gestão dos recursos”, uma explicação que choca os servidores, dado que a Agir detém um contrato estimado em R$ 2 bilhões por cinco anos com o Estado. Além da restrição alimentar, profissionais denunciam atrasos salariais e condições de trabalho cada vez mais difíceis.
Investigação da Polícia Federal e desvios de R$ 38 milhões
Enquanto economiza no pão e no café dos servidores amazonenses, a cúpula da Agir enfrenta problemas graves com a justiça. As operações Makot Mitzrayim e Rio Vermelho investigam crimes como peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações.
As investigações da PF apontam indícios de:
- Direcionamento de contratos e simulação de concorrência.
- “Quarteirização” de serviços para inflar custos e gerar lucros indevidos.
- Pagamentos por leitos inexistentes e escalas de profissionais incompletas.
De acordo com a CGU, os desvios investigados podem chegar a R$ 38 milhões. Um dos focos principais é a gestão de hospitais de campanha durante a pandemia, onde foram identificadas irregularidades em 88% dos pagamentos analisados. Ao todo, 46 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em estados como São Paulo, Tocantins, Maranhão e Goiás. Além disso, quatro empresários são alvos de mandados de prisão.

Outro lado
Em nota que posteriormente foi apagada, a AGIR afirmou que está colaborando integralmente com as autoridades e que todas as suas contas referentes ao período da pandemia foram aprovadas pela CGU. A entidade, que gere o Hospital Santa Ana em Goiás, destaca possuir mais de 20 anos de atuação no setor público.


No Amazonas, o silêncio sobre a “herança” dessa gestão começa a incomodar a Assembleia Legislativa (Aleam), onde deputados já repercutem as denúncias de precarização nas unidades geridas pela organização.








