Conselheiros tutelares acusam prefeito Renato Afonso de ignorar pedidos e comprometer atendimento de crianças e adolescentes em Pauini

Amazonas – O Conselho Tutelar de Pauini, no interior do Amazonas, enfrenta uma série de dificuldades que, segundo os conselheiros, comprometem diretamente o atendimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Entre os principais problemas apontados estão a falta de apoio do Poder Executivo Municipal, a ausência de capacitações, a precariedade da estrutura física e a indisponibilidade do veículo oficial do órgão.
De acordo com os conselheiros tutelares, diversos pedidos para participação em cursos e capacitações fora do município foram negados pela Prefeitura desde 2024.
As solicitações incluíam o custeio de diárias e passagens para que os profissionais pudessem participar de treinamentos voltados ao fortalecimento da rede de proteção à infância e adolescência.

A situação também impacta o uso do Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia), ferramenta utilizada nacionalmente para registro e acompanhamento de ocorrências envolvendo crianças e adolescentes. Segundo os relatos, a falta de capacitação impede que os conselheiros utilizem o sistema de forma adequada.
Os membros do Conselho Tutelar afirmam ainda que têm enfrentado dificuldades para estabelecer diálogo com a gestão municipal. Conforme os relatos, diversas tentativas de reunião com o prefeito Raimundo Renato Afonso não tiveram retorno, o que tem contribuído para o distanciamento entre o órgão e o Executivo.

Outro problema destacado é a estrutura física do Conselho Tutelar. Os conselheiros alegam que o prédio utilizado atualmente não oferece condições adequadas para o atendimento da população, especialmente em casos que exigem acolhimento e sigilo.
Além disso, o veículo oficial do Conselho está parado em uma oficina desde o dia 10 de abril, dificultando as visitas domiciliares e demais ações externas. Sem transporte disponível, os conselheiros afirmam que precisam utilizar veículos particulares para atender ocorrências, situação considerada inadequada diante da demanda do órgão.
Segundo o colegiado, apenas um conselheiro conseguiu participar de uma capacitação fora de Pauini nos últimos anos. O profissional já estava em Manaus durante o período de férias e, por isso, conseguiu comparecer ao evento por conta própria.
Os conselheiros também reclamam da falta de respostas oficiais aos pedidos encaminhados à administração municipal. Conforme o relato, as solicitações são negadas ou não atendidas sem que haja justificativas formais.
Em uma das tentativas mais recentes, o Conselho propôs que a Prefeitura arcasse apenas com as diárias de três conselheiros para participação em uma capacitação em Manaus, enquanto os próprios profissionais custeariam as passagens de ida e volta. Mesmo com a proposta de colaboração, o pedido não teria sido atendido.

Outro ponto levantado pelos conselheiros é a situação do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA). Segundo eles, o órgão está atualmente sem presidente e o fundo municipal destinado às políticas públicas para crianças e adolescentes não estaria em funcionamento.
Diante das dificuldades, os conselheiros defendem uma maior aproximação do Poder Executivo com o órgão e cobram medidas para garantir melhores condições de trabalho e atendimento à população infantojuvenil do município.









