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Fábio Faria, marido de Patrícia do SBT, articulou festa da luxúria de Vorcaro com “suíças” ao qual Alcolumbre, Pacheco e Toffolli foram convidados; veja vídeo

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Fábio Faria, marido de Patrícia do SBT, articulou festa da luxúria de Vorcaro com “suíças” ao qual Alcolumbre, Pacheco e Toffolli foram convidados; veja vídeo

Brasil – Durante o dia, a imagem pública de um homem de família, ex-ministro das Comunicações de um governo que se elegia sob a bandeira da moralidade conservadora, e genro de um dos maiores ícones da televisão brasileira. Durante a noite, nos subterrâneos de São Paulo, o grande arquiteto de uma orgia de poder, operando como recrutador de políticos para uma festa clandestina onde o principal atrativo era uma proporção irreal de mulheres jovens para cada homem engravatado. As mensagens interceptadas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que culminou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, destruíram a fachada de Fábio Faria, revelando seu papel de protagonista na chamada “Festa das Suíças”.

O escândalo da festa de Halloween na boate Madame Satã, em outubro de 2023, não seria o mesmo sem o zeloso trabalho de Faria. Enquanto o promoter Tiago Polo ficava com o “trabalho sujo” de assediar agências de modelos para garantir o batalhão de 120 “novinhas” exigido por Vorcaro, Fábio Faria assumiu a curadoria do poder. Ele foi o responsável direto por transformar uma balada regada a luxo em um verdadeiro balcão de negócios para o Banco Master, usando mulheres como isca para atrair as mais altas autoridades da República para o escurinho da pista de dança.

O Assédio Político e as “Suíças” como Moeda de Troca

O nível de intimidade e a frieza nas negociações expõem um Fábio Faria que tratava a presença feminina como mera mercadoria para satisfazer seus convidados VIPs. Nas conversas de WhatsApp com Vorcaro, o ex-ministro não demonstra qualquer pudor ao relatar a ansiedade de suas “presas” políticas. “Davi tá louco perguntando se as suíças vão vir. Se der vms trazer”, escreveu Faria, referindo-se ao senador Davi Alcolumbre.

Faria operava como um verdadeiro fiador do evento. Ele listava orgulhosamente suas conquistas para o banqueiro: “Davi e Pacheco fechado para terça. Chamei Toffoli tb”. O assédio aos caciques do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) não era um mero favor entre amigos, como ele cinicamente tentou justificar depois. Havia um interesse financeiro e de lobby explícito, que o próprio Faria faz questão de registrar na mesma conversa em que cobra a presença das modelos estrangeiras: “E na segunda quero ir lá no banco com os meus sócios do escritório”. A equação era simples: mulheres jovens na terça para os políticos, negócios lucrativos no banco na segunda para Faria e seus sócios.

O “Coach” de Álibis e a Mentira Institucionalizada

Talvez o momento mais repulsivo e revelador do caráter de Fábio Faria nas investigações seja um áudio transcrito pela PF. Nele, o marido de Patrícia Abravanel atua como um professor da dissimulação, ensinando as autoridades a mentirem para suas famílias e para a sociedade a fim de curtirem a noitada sem deixar rastros.

“Eu, por exemplo, estou falando que vou dormir em Brasília, entendeu? É só pra dar confiança pros caras”, confessa Faria, detalhando a fabricação de um álibi perfeito. A intenção era criar uma redoma de impunidade, garantindo aos poderosos que o pecado cometido na Bela Vista jamais chegaria ao Planalto Central. Animado com a própria capacidade de articulação, Faria ainda tentou inflar a lista de figurões, citando nomes como o deputado Arthur Lira e até sugerindo ousadias maiores: “Dá até para trazer o Alexandre [de Moraes] numa dessa, entendeu?”.

A Paranoia do Vazamento e o Descarte das Brasileiras

Se a proporção de 120 mulheres para 20 homens, que obrigou Vorcaro a “tirar mulher porque não tá cabendo”, já escancara o nível de objetificação do evento, as sugestões táticas de Fábio Faria elevam a misoginia a outro patamar. Preocupado com escândalos recentes envolvendo celebridades, o ex-ministro sugeriu um “controle de danos” macabro: evitar as mulheres brasileiras.

“Pq tem publicidade um vazamento desses”, alertou Faria, relembrando o vazamento de uma festa do jogador Neymar, ocorrida na mesma época. A solução encontrada pelo marido da herdeira do SBT foi fria e calculista: “De repente trazer menos brasileira hoje, porra, que já está bom pra caralho”. Para Faria e Vorcaro, as mulheres estrangeiras (“metade de fora”) eram a escolha perfeita não apenas pelo fetiche de seus convidados, mas por serem peças descartáveis. Alheias aos rostos do panteão político brasileiro, as “gringas” não saberiam quem estavam entretendo e, portanto, representavam um risco menor de expor a hipocrisia dos homens de Brasília.

Uma Defesa Cínica para um Escândalo Indefensável

Quando o véu de sigilo caiu e o escândalo veio a público, após o desespero de Vorcaro com um vídeo vazado no TikTok, a reação de Fábio Faria foi de um cinismo atroz. O homem que negociou a presença de “suíças”, que ensinou senadores a inventarem que estavam dormindo em Brasília, e que misturou convites de balada com reuniões de seu escritório de lobby, limitou-se a dizer, por meio de nota, que apenas “transmitiu convites a amigos em comum para um evento privado”.

As mais de 120 “novinhas” recrutadas a dedo, a retenção de celulares na porta e o esquema de segurança digno de chefes de Estado provam o contrário. Fábio Faria não foi um mero mensageiro. Ele foi o maestro de uma sinfonia de excessos, o elo carnal entre o dinheiro obscuro de um banqueiro e os desejos inconfessáveis da República. O relatório da Polícia Federal não deixa dúvidas: por trás do verniz do ex-ministro e do empresário bem-sucedido, esconde-se um articulador voraz, disposto a rifar a moralidade e a usar centenas de mulheres como simples chamariz para fechar seus balanços e agradar os donos do poder.


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