‘Espero que algum dia Trump faça um Pix’, diz Lula; veja vídeo

Brasil – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou sua agenda oficial em Washington nesta quinta-feira (7) com uma declaração bem-humorada, mas carregada de nuances diplomáticas. Em conversa com jornalistas na saída da Casa Branca, Lula afirmou que espera que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “ainda faça um Pix”.
A fala surgiu em meio à expectativa de que o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro fosse um dos pontos de atrito no encontro bilateral. Recentemente, o escritório de representação comercial da Casa Branca (USTR) incluiu o Pix em um relatório que analisa barreiras comerciais, sugerindo que a tecnologia brasileira poderia estar prejudicando empresas de cartões e serviços financeiros americanos.
“Uma das razões pelas quais eu trouxe Dario Durigan [secretário-executivo do Ministério da Fazenda] era porque eu imaginava que Trump queria discutir a questão do Pix. Ele não tocou no assunto, então eu também não toquei”, disse Lula.
Impasse Comercial e a “Seção 301”
Apesar do tom leve sobre a ferramenta de pagamentos, o pano de fundo da viagem é de tensão comercial. O governo americano tem sinalizado a possibilidade de utilizar a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — um dispositivo que permite aos EUA sancionar países que pratiquem o que eles consideram “comércio injusto”.
De acordo com o presidente brasileiro, o diálogo focou mais nas taxas de importação do que na tecnologia bancária:
A tese americana: Washington alega que o Brasil tem elevado impostos de forma desproporcional sobre produtos manufaturados dos EUA.
A defesa brasileira: Lula rebateu afirmando que a fiscalização contra produtos americanos “não tem procedência” e que o Brasil apenas protege sua soberania tributária.
Prazo de 30 Dias para o “Tarifaço”
Para evitar que a divergência escale para uma guerra tarifária, Lula propôs a Trump uma força-tarefa ministerial. A ideia é que equipes técnicas de ambos os países se debrucem sobre os números para evitar retaliações imediatas.
“Ele não discutiu o acordo da Seção 301 a fundo. Eles levantaram a tese de que o Brasil está cobrando mais impostos. Eu sugeri que nossos ministros se reúnam e tenhamos 30 dias para resolver essa questão do tarifaço”, explicou o petista.
Lula reforçou que o retorno dos EUA ao tabuleiro de investimentos na América Latina é fundamental para o equilíbrio regional. “É importante que os EUA voltem a ter interesse no Brasil não apenas como um mercado consumidor, mas como um parceiro estratégico”, concluiu.
A comitiva brasileira deixa Washington ainda hoje, com a promessa de que os canais de comunicação entre o Ministério da Fazenda e o Tesouro Americano permanecerão abertos para destravar a pauta econômica antes do fim do semestre.








