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Corrupção da Seduc-AM para o Brasil: Intercept revela negócios bilionários de Rossieli Soares e a empresa Fazer Educação

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Corrupção da Seduc-AM para o Brasil: Intercept revela negócios bilionários de Rossieli Soares e a empresa Fazer Educação

Amazonas – Nos últimos três anos, pastas geridas pelo atual secretário de Educação de Minas Gerais, Rossieli Soares, firmaram quatro contratos milionários para a compra de livros didáticos. Os acordos, que somam R$ 848,8 milhões, beneficiaram uma única empresa: a amazonense Fazer Educação (antiga Sudu Tecnologia Educacional). As revelações, trazidas em reportagem do Intercept Brasil, levantam questionamentos sobre o uso de brechas licitatórias e conexões políticas.

A Fazer Eduacação possui dois CNPJs registrados. O 34.049.028/0001-35, que já foi utilizado pela SUDU INTELIGENCIA EDUCACIONAL, alvo da “Operação Ghost Mask” da Polícia Federal em 1º de outubro de 2024. E também  34.049.028/0002-16. Ambas estão localizadas no mesmo endereço, na rua Domingos Lima, número 236, bairro Nossa Senhora das Graças, na zona centro-sul de Manaus.

Dinheiro ao redor do Brasil

O maior dos contratos foi assinado em Minas Gerais na antevéspera do último Natal, durante a gestão do ex-governador Romeu Zema. O acordo previu o pagamento de R$ 348,4 milhões para a aquisição de 3,5 milhões de livros voltados aos ensinos fundamental e médio. Antes de assumir a pasta mineira, Rossieli já havia firmado outros três contratos com a mesma empresa enquanto era secretário no Pará, sob o governo de Helder Barbalho.

O peso das investigações no Sul

A ascensão vertiginosa da Fazer Educação nos estados contrasta com seu histórico recente na região Sul. Em abril de 2025, o proprietário da companhia, o empresário João Moacir Pereira da Silva Filho, foi indiciado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul pelos crimes de fraude em licitação e organização criminosa.

A ação foi fruto da Operação Capa Dura, que investigou um conluio de empresas para direcionar contratos públicos na prefeitura de Porto Alegre em 2022. Segundo o inquérito gaúcho, companhias que se apresentavam como concorrentes atuavam, na verdade, em parceria para fraudar a cotação de preços.

O mecanismo da “carona”

O sucesso comercial da Fazer Educação nas gestões de Rossieli Soares é impulsionado por um mecanismo administrativo conhecido como adesão à ata de registro de preços. A prática, apelidada de “carona”, permite que um estado utilize a licitação já realizada por outro órgão público, desde que comprove vantagem financeira.

  • No Pará: Duas compras pegaram carona em uma licitação do Paraná (a mesma base utilizada no contrato investigado em Porto Alegre).
  • Em Minas Gerais: O contrato de R$ 348,4 milhões baseou-se em um pregão da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) de São Paulo — órgão que foi vinculado a Rossieli até abril de 2022.

Com esse modelo ágil, Minas Gerais e Pará comprometeram, juntos, R$ 661,2 milhões dos cofres públicos com a empresa investigada.

Conexões editoriais e doações de campanha

Os materiais distribuídos pela Fazer Educação são produzidos pela Somos Educação, gigante do setor editorial que concorreu com a própria Fazer na licitação paulista, mas desistiu de um dos lotes alegando “falta de capacidade financeira”. Em Minas Gerais, a Fazer atua como representante exclusiva de alguns materiais da Somos.

A relação ganha contornos políticos ao se observar o financiamento eleitoral. Em 2022, quando Rossieli Soares concorreu à Câmara dos Deputados, ele recebeu uma doação de R$ 20 mil de Mario Ghio Jr., então presidente da Somos Educação.

O caso já repercute no cenário político. Em Minas Gerais, a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) protocolou uma denúncia no Ministério Público Federal (MPF) questionando a qualidade do material e a necessidade da compra, uma vez que já existe o Programa Nacional de Livro Didático. No Pará, o Ministério Público também abriu um inquérito para apurar as contratações.

O que dizem os citados

As Secretarias de Educação (MG e PA): Afirmam que não havia impedimentos formais contra a Fazer Educação no momento das assinaturas e que as contratações seguiram a legislação. A gestão de MG defende que os materiais são estratégicos para melhorar indicadores de aprendizagem.

Rossieli Soares: A Secretaria de MG defendeu que as doações de campanha de Rossieli foram regulares e aprovadas pela Justiça Eleitoral. O secretário não comentou o caso pessoalmente.

Fazer Educação e João Moacir: A defesa nega irregularidades e vínculos com os ilícitos investigados no Sul. A empresa afirma atuar de forma autônoma e em estrito cumprimento da livre concorrência.

Somos Educação e Mario Ghio Jr.: A editora diz seguir políticas rígidas de anticorrupção. Ghio Jr. afirma que a doação eleitoral foi feita como pessoa física, sem contrapartidas, e baseada apenas na relevância de Rossieli para o debate educacional.


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