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Sem foro, sem blindagem: renúncia de Wilson Lima abre caminho para incluí-lo nas investigações sobre fraudes na Amazonprev

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Sem foro, sem blindagem: renúncia de Wilson Lima abre caminho para incluí-lo nas investigações sobre fraudes na Amazonprev

Amazonas – A saída quase simultânea de três governadores de peso — Wilson Lima, Cláudio Castro e Ibaneis Rocha — não apenas redesenhou o cenário político local, mas abriu caminho para que investigações sensíveis avancem sem uma das principais proteções institucionais desses mandatários: o foro privilegiado. Fora do cargo, eles passam a responder diretamente a apurações conduzidas por Ministérios Públicos estaduais e pela Polícia Federal, no âmbito do escândalo envolvendo o Banco Master.

No Amazonas, a situação de Wilson Lima se mostra particularmente delicada. A Polícia Federal já havia intensificado as investigações com a operação Barco de Papel, voltada a possíveis crimes contra o sistema financeiro na gestão do Fundo Único de Previdência Social do estado. O foco recai sobre decisões tomadas durante sua administração, especialmente a nomeação de Evilázio Nascimento para a presidência da Amazonprev, período em que cerca de R$ 50 milhões das aposentadorias de servidores foram aplicados em operações que resultaram em perdas significativas.

A situação se agravou com a operação Sine Consensu, que passou a investigar suspeitas de propina envolvendo servidores da fundação. A Justiça chegou a determinar o afastamento de funcionários sob a suspeita de recebimento de R$ 600 mil para viabilizar aportes no Banco Master. Mesmo diante de sinais de risco, decisões estratégicas seguiram sendo tomadas dentro da estrutura do governo.

Há ainda elementos que ampliam o desgaste político. A sucessão na presidência da Amazonprev envolveu nomes diretamente ligados ao círculo político de Lima, como Ary Renato Vasconcelos de Souza e, posteriormente, Francisco Evilázio, irmão de Alfredo Nascimento. Mesmo após ter sido alertado sobre riscos em reunião na sede do banco, em São Paulo, Francisco não interrompeu o movimento de investimentos — que acabaram comprometidos com a quebra da instituição.

A renúncia de Wilson Lima, oficializada em 4 de abril, também levanta questionamentos sobre coerência política. Pouco antes, ele havia afirmado publicamente que permaneceria no cargo “por responsabilidade” com a população. A mudança de postura, ocorrida pouco mais de um mês depois, coincide com sua movimentação para disputar uma vaga no Senado — o que, na prática, o coloca em campanha enquanto as investigações ganham tração.

Esse contexto alimenta críticas sobre a condução de sua gestão. Embora não seja o único político envolvido no caso, Wilson enfrenta um conjunto de fatos que indicam, no mínimo, falhas graves de supervisão e escolhas administrativas questionáveis em uma área sensível como a previdência estadual. A perda de recursos de servidores e a proximidade entre decisões técnicas e interesses políticos reforçam a percepção de que houve negligência — ou algo mais profundo que ainda será esclarecido pelas autoridades.

No Rio de Janeiro, Cláudio Castro também entra no radar por conta da atuação no Rioprevidência. A prisão de Deivis Marcon Antunes, nomeado por ele, evidencia o tamanho das suspeitas: investimentos que chegaram a R$ 970 milhões no Banco Master, com recursos previdenciários, praticamente evaporaram após a liquidação da instituição.

Já no Distrito Federal, o caso envolvendo Ibaneis Rocha tem contornos diferentes, mas igualmente sensíveis. A tentativa do Banco de Brasília de adquirir parte do Master para evitar sua quebra levou à prisão de Paulo Henrique Costa, em operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal. Nesse cenário, Ibaneis pode ser investigado independentemente de sua condição de ex-governador, já que o STF mantém competência sobre autoridades com foro.

O que une os três casos é o uso de recursos públicos — especialmente previdenciários — em operações de alto risco, além da coincidência política das renúncias em meio ao avanço das investigações. No caso de Wilson Lima, porém, a combinação de decisões administrativas, mudanças de discurso e proximidade com os gestores envolvidos torna sua situação particularmente frágil do ponto de vista político e administrativo.


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