Conselho do MPF marca 3 a 0 contra afastamento de Paulo Gonet para ser investigado no Caso Master
Mundo – O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) formou, até o momento, um placar de 3 a 0 contra o afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, dos processos que envolvem o Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). No que diz respeito à abertura de uma apuração preliminar contra o PGR, o marcador aponta 2 a 1 a favor do arquivamento do procedimento.
O subprocurador-geral Celso de Albuquerque Silva seguiu o entendimento do relator do caso, Francisco Sanseverino, e votou a favor do arquivamento. Em sua argumentação, Celso afirmou que não existem elementos mínimos que justifiquem o afastamento de Gonet ou a abertura de uma investigação. Ele rechaçou veementemente a tese de “amizade íntima” entre o procurador-geral e o banqueiro Daniel Vorcaro, destacando que a própria polícia não apontou nenhum registro de contato direto entre os dois. Sobre a foto em que Gonet e Vorcaro aparecem em uma degustação de uísque, o subprocurador justificou que a ocasião ocorreu em um fórum no ano de 2024, época em que o empresário sequer era alvo de investigação.
A única divergência até aqui foi aberta pela subprocuradora-geral Janice Agostinho Barreto Ascari. Embora também tenha votado contra afastar Gonet de suas funções nos processos, ela defendeu que fosse instaurada uma apuração preliminar para checar as mensagens de terceiros que citam o nome do PGR. Contudo, Janice ponderou que a simples menção ao nome da autoridade não comprova adesão a pedidos de intervenção ou atuação para beneficiar Vorcaro. Ela também fez questão de ressaltar que o relator do Caso Master no STF, ministro André Mendonça, já atestou no plenário da Corte que não há qualquer crime atribuído a Gonet.
O relator Francisco Sanseverino já havia sustentado anteriormente que a decisão sobre eventual impedimento do procurador-geral é de competência do STF, e não do CSMPF. Sanseverino também pontuou que a tese de amizade é enfraquecida pelo fato de Gonet ter mantido o rigor exigido pelo cargo ao avaliar — e não dar andamento — às propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa de Vorcaro, por considerá-las insuficientes.
Em ofício de defesa, Paulo Gonet negou qualquer vínculo de proximidade, amizade ou interesse pessoal nos processos do banqueiro. O procurador-geral afirmou que o seu único encontro presencial com Vorcaro aconteceu de forma pública, durante um evento jurídico na cidade de Londres, em abril de 2024.
A sessão, que é conduzida pelo vice-presidente do conselho, o subprocurador-geral Nicolao Dino, precisou ser interrompida para o almoço dos conselheiros e continuará com a votação dos demais integrantes.



