Confusão e Baixaria: CPMI do INSS aprova quebra de sigilo de Lulinha e deputados do PT partem pra briga; veja vídeo
Brasil — A 32ª reunião da CPMI do INSS, realizada na manhã desta quinta-feira (26), foi palco de uma confusão generalizada no Congresso Nacional. O estopim foi a aprovação da quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente da República.
A decisão elevou a temperatura da sessão a níveis críticos. Imediatamente após a aprovação do requerimento, parlamentares da base de apoio ao governo reagiram com indignação. O clima explodiu em um intenso bate-boca, com deputados e senadores governistas esbravejando e partindo para o confronto verbal direto com o presidente da comissão, senador Carlos Viana. A sessão foi marcada por gritos e tentativas de tumultuar o andamento dos trabalhos, deixando evidente a profunda insatisfação da esquerda com o avanço da investigação sobre o núcleo familiar do presidente.
A justificativa para a quebra de sigilo
O pedido que gerou a discórdia (REQ 2.939/2026) foi elaborado pelo relator do colegiado, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). A base do requerimento reside em mensagens interceptadas durante as apurações de fraudes e irregularidades na concessão de benefícios previdenciários.
Segundo o relator, em um dos diálogos interceptados, o indivíduo conhecido como “Careca do INSS” — apontado como líder do esquema — é questionado sobre o destinatário de um pagamento de R$ 300 mil feito à empresa de Roberta Luchsinger. A resposta teria sido que o valor seria destinado a “o filho do rapaz”, o que os investigadores suspeitam ser uma referência a Lulinha. Roberta é investigada como uma peça central no núcleo político da organização criminosa.
Além disso, Gaspar aponta documentos que indicam repasses de R$ 1,5 milhão da Brasília Consultoria para a RL Consultoria (pertencente a Roberta). A justificativa oficial seria a prestação de serviços em projetos fora do ramo da contratante, o que, na visão do relator, configura transações financeiras sem lastro econômico real.
Uma pauta extensa e outras frentes de investigação
Apesar do tumulto ter monopolizado as atenções, a pauta da CPMI previa a votação de uma lista robusta com 87 requerimentos, além de oitivas fundamentais para entender o esquema de fraudes. Entre os destaques dos trabalhos da comissão estão:
Depoimentos chave: Foram pautadas as oitivas do empresário Paulo Camisotti (investigado por participação em esquema de descontos não autorizados em aposentadorias); do deputado estadual Edson Cunha de Araújo (MA), citado pela Polícia Federal por movimentar recursos de entidades ligadas a pescadores; e do advogado Cecílio Galvão, suspeito de receber cerca de R$ 4 milhões de entidades investigadas.
Mais quebras de sigilo: A ofensiva da comissão também mira operadores financeiros. Estão na mira a empresária Danielle Miranda Fontelles, suspeita de facilitar a lavagem de dinheiro no exterior, e Gustavo Marques Gaspar, cujas movimentações financeiras atípicas levantaram suspeitas de elo com o “Careca do INSS”.
Aperto nas instituições financeiras: Foram requeridas quebras de sigilo do Banco Master (referente a uma década de operações, de 2015 a 2025), da Pay Brokers EFX e da Foliumed Brasil, todas suspeitas de irregularidades nos descontos de empréstimos consignados.
Segurança do Sistema: O deputado Kim Kataguiri (União-SP) conseguiu a convocação da diretora de Tecnologia da Informação do INSS, Léa Bressy Amorim, para prestar esclarecimentos sobre as falhas na governança e segurança cibernética que permitiram as fraudes na autarquia.
A reunião desta quinta-feira reafirma que a CPMI do INSS entrou em uma fase aguda, onde a investigação técnica sobre fraudes em benefícios começa a esbarrar, de forma turbulenta, nos altos escalões da política nacional.


