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“Cargas Perigosas”: piloto denuncia pagamentos em dinheiro vivo em voos para agendas do Governo do AM

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“Cargas Perigosas”: piloto denuncia pagamentos em dinheiro vivo em voos para agendas do Governo do AM

Amazonas – Um vídeo-denúncia divulgado nesta semana lançou luz sobre um suposto esquema complexo de lavagem de dinheiro conectando o crime organizado à alta cúpula da política nacional e estadual. Mauro Mattosinho, piloto de jatos executivos há 15 anos, relatou em detalhes como a empresa para a qual trabalhava operava voos pagos com dinheiro em espécie, citando especificamente agendas ligadas ao Governo do Amazonas.

Mattosinho, que atuou entre 2023 e 2024 na empresa Táxi Aéreo Piracicaba, afirma ter presenciado o funcionamento interno de uma organização supostamente liderada por empresários apontados pela Polícia Federal como braços financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC).

O Elo com o Amazonas

No trecho mais sensível para a política do Norte, o piloto descreve a rotina de pagamentos dos fretamentos. Segundo ele, voos realizados para atender a compromissos oficiais e agendas do Governo do Amazonas e do Governo de Alagoas eram frequentemente quitados com dinheiro vivo.

“Em diversos momentos, houveram pagamentos feitos em dinheiro em espécie. Em alguns casos eu presenciei, em outros eu ouvi diretamente do dono da empresa”, afirma Mattosinho no vídeo.

O piloto revela ainda que esses malotes de dinheiro recebiam um apelido irônico nos bastidores da empresa aérea: “cargas perigosas”. A declaração sugere uma tentativa de burlar os sistemas de controle financeiro tradicionais, prática comum em esquemas de lavagem de capitais para ocultar a origem ilícita dos recursos.

A Teia de Conexões

O relato de Mattosinho não se limita ao transporte aéreo. Ele desenha um organograma que envolve o fundo de investimentos REAG, o Banco Master e figuras carimbadas da política em Brasília, como os senadores Ciro Nogueira e Davi Alcolumbre, além de menções ao ministro do STF, Dias Toffoli.

O piloto descreve o uso de aeronaves de luxo, como o Gulfstream G150, para transportar não apenas autoridades, mas também sacolas que, segundo seus superiores, continham “grana” destinada a influenciar decisões políticas e adquirir patrimônio, como um hangar no Aeroporto de Brasília.

Silêncio e Repercussão

A denúncia, que o piloto classifica como um “grito de cidadão” após ver “o dinheiro, o poder e o silêncio andarem juntos”, coloca a administração estadual do Amazonas no centro de um escândalo nacional. Até o momento, os citados no vídeo não se pronunciaram oficialmente sobre a origem dos recursos em espécie mencionados pelo ex-funcionário.

A Polícia Federal já investiga os empresários citados, conhecidos como “Beto” e “Primo”, por lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis e a Faria Lima. O depoimento de Mattosinho deve abrir novas frentes de investigação sobre como esse capital ilícito pode ter permeado contratos e agendas de governos estaduais.

Quem é a testemunha?

Mauro Mattosinho não é apenas um piloto; ele possui uma formação intelectual robusta. É graduado em Música, formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e atualmente cursa História.

Sua decisão de se tornar um informante (whistleblower) e colaborar com a Polícia Federal na Operação Carbono Oculto tem raízes profundas. Mattosinho relata que sua visão de mundo mudou após sobreviver a um câncer no fígado aos 29 anos. A busca por um novo propósito colidiu com o dilema ético de testemunhar irregularidades graves no setor aéreo.

Politicamente posicionado e filiado ao PSOL, sua trajetória pública traz apenas um registro de controvérsia menor: um processo de 2022 envolvendo uma desavença com uma vizinha, já encerrado via acordo judicial.


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