“Bateram recorde!”: grupo político de Wilson Lima e Roberto Cidade é alvo da 4ª operação da PF antes das eleições
Manaus – Em um intervalo de menos de um mês, a estrutura do Governo do Amazonas e o entorno político do governador Wilson Lima e do candidato Roberto Cidade tornaram-se o epicentro de uma série de investidas da Polícia Federal (PF). Na reta final para o pleito de 2026, as autoridades já registraram quatro mobilizações policiais distintas contra órgãos estaduais e aliados do grupo governista, investigando denúncias que vão desde o uso eleitoral da máquina pública até suspeitas de espionagem política.
Abaixo, detalhamos a cronologia dessa ofensiva policial, partindo do caso mais recente até a primeira operação que desencadeou a crise na autarquia estadual.
1º de Outubro: “QG do Crime 2.0” e a suposta espionagem na SSP-AM
A ação mais recente ocorreu na manhã desta quinta-feira (1º de outubro). Em uma operação conjunta com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), a PF foi às ruas para cumprir seis mandados de busca e apreensão. O principal alvo foi a sede da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). A força-tarefa investiga a possível criação de uma estrutura paralela para realizar “espionagem política”. O objetivo desse suposto esquema seria levantar informações sigilosas sobre adversários políticos para beneficiar a campanha e os integrantes do grupo de Roberto Cidade e Wilson Lima.
24 de Setembro: Operação Combustão e bloqueio de R$ 17 milhões
Uma semana antes, a PF deflagrou a “Operação Combustão”, cumprindo seis mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Eleitoral. O foco da investigação foi um suposto esquema de corrupção envolvendo a Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Aadesam). A apuração mirou crimes de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e caixa dois eleitoral. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 17 milhões em bens dos investigados. Durante a operação, o ex-presidente da Aadesam, pastor José Nilmar Alves de Oliveira, foi preso em flagrante após a polícia encontrar duas pistolas 9mm e munições em sua casa. Ele foi solto horas depois mediante pagamento de fiança de R$ 4 mil. Relatórios do COAF apontaram movimentações financeiras atípicas e repasses milionários incompatíveis com a renda de operadores ligados à agência.
4 de Setembro: O retorno da PF à Aadesam
Apenas um dia após a primeira grande batida policial na Aadesam, viaturas da Polícia Federal retornaram ao prédio da agência no dia 4 de setembro. A movimentação contínua ocorreu para a coleta de novos documentos e extração de dados que dessem seguimento às investigações sobre os abusos de poder político e econômico ligados à campanha de Roberto Cidade. A presença reiterada da polícia aumentou o clima de tensão entre os servidores da autarquia.
3 de Setembro: A primeira operação e o misterioso “computador corrompido”
A sequência de escândalos teve início no dia 3 de setembro. A pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE), a Justiça Eleitoral autorizou buscas na Aadesam para frear um suposto aparelhamento eleitoral. A denúncia apontava que 19 servidores da agência estavam sendo transferidos da capital para o interior do estado com a finalidade oculta de trabalhar na campanha de Roberto Cidade.
No entanto, o que era para ser uma busca padrão revelou indícios de obstrução de justiça. Um relatório posterior da PF apontou uma falha “grave”: os servidores da Aadesam já sabiam da operação antes da chegada dos agentes federais, pois foram notificados pelo sistema processual. Como resultado, a polícia se deparou com um computador do setor de Recursos Humanos que havia sido enviado para a manutenção na mesma manhã e foi entregue aos investigadores supostamente “corrompido”, travado na tela de BIOS. Além disso, a presidência da agência tentou ocultar a existência de um notebook, que acabou sendo localizado e apreendido pelos agentes.
Os sucessivos desdobramentos colocaram o atual presidente da Aadesam, William Alexandre Silva de Abreu, na mira do MPE, que já solicitou o seu afastamento cautelar e a aplicação de multas por descumprimento de decisões judiciais. O Governo do Estado tem afirmado que colabora com as autoridades e presta todos os esclarecimentos solicitados.




