Abandono na educação: Salas de aula caindo aos pedaços e alunos no calor; gestão de Roberto Cidade entra na mira da Defensoria Pública do Amazonas
Manaus – A Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) identificou problemas de infraestrutura, climatização e rede elétrica em duas escolas estaduais localizadas nas zonas Centro-Oeste e Sul de Manaus. As situações foram constatadas durante uma fiscalização realizada nesta sexta-feira (25) pelo Grupo de Trabalho Intersetorial de Defesa da Educação e Cidadania (Gidec).
As unidades vistoriadas foram as escolas estaduais Maria de Lourdes Rodrigues Arruda e Hermenegildo de Campos.Na primeira escola visitada, a Maria de Lourdes Rodrigues Arruda, que possui cerca de 480 alunos matriculados, professores relataram dificuldades relacionadas à transição da unidade para o modelo de ensino em tempo integral.
Entre os problemas apontados estão a falta de espaço para descanso dos estudantes, as condições da quadra esportiva, que não possui cobertura e teve a pintura custeada pelos próprios professores, além da necessidade de reformas nos banheiros e vestiários.

A fiscalização também identificou que a escola possui mais de 15 estudantes neurodivergentes, mas conta com apenas duas professoras auxiliares para acompanhá-los em sala de aula.
Outro problema apontado foi a situação dos aparelhos de ar-condicionado. Parte dos equipamentos está quebrada, o que agrava as condições de permanência de alunos e professores nas salas durante o período de altas temperaturas registrado em Manaus.
Segundo o defensor público e integrante do Gidec, Arlindo Gonçalves, o trabalho ainda está em fase de levantamento e tem como objetivo identificar os problemas para definir posteriormente quais providências poderão ser adotadas.
“O que mais escutamos é a dificuldade dos alunos de estudar no calor e que muitos problemas estruturais, como pintura de quadra e reparos urgentes, estão sendo sanados pelos próprios funcionários. Essa apuração integra o trabalho do Gidec, que foi criado para entender o que está ocorrendo no sistema de educação municipal e estadual e, nesse momento, ainda estamos em uma fase preliminar e de mapeamento”, afirmou.
Mãe relata que filha pede para não ir à escola por causa do calor
Mãe de uma estudante do 7º ano da unidade, Jaiane Mourão, de 35 anos, relatou que a filha tem pedido frequentemente para não ir às aulas por causa do calor. Segundo ela, o problema se agravou com as altas temperaturas registradas em Manaus nos últimos dias.
A mãe afirmou ainda que já procurou a Secretaria de Educação e Desporto para relatar os problemas encontrados na escola.
“Como pais, nós percebemos que há uma vontade da direção da escola e dos professores em resolver os problemas, mas isso não depende deles. Eu mesma já protocolei três reclamações na Secretaria de Educação e Desporto, relatando os problemas daqui, e nunca tive resposta. A educação e o futuro dos nossos filhos estão em jogo, e é por isso que precisamos questionar. Essa fiscalização ajuda bastante, porque dependemos disso agora”, relatou.
Escola está fechada e alunos estão sem aulas
Na Zona Sul de Manaus, a situação encontrada na Escola Estadual Hermenegildo de Campos também preocupa. No início de setembro, a unidade passou a enfrentar problemas na rede elétrica, comprometendo o funcionamento dos aparelhos de ar-condicionado e levando à realização de uma reforma geral no prédio.
Por causa da intervenção, os estudantes estão afastados das atividades presenciais e, segundo as informações levantadas pela Defensoria, estão há quase 30 dias sem acesso aos conteúdos das aulas.Como alternativa, a escola informou aos pais que os estudantes deverão ser transferidos temporariamente para a Escola Estadual Professor Antenor Sarmento, também localizada na Zona Sul.
De acordo com Arlindo Gonçalves, a rede elétrica não suportou o uso dos aparelhos de ar-condicionado durante o período de altas temperaturas.
“No mês de agosto, devido à condição climática da capital, a rede de energia elétrica não suportou o uso dos aparelhos de ar-condicionado. Conversamos com a direção da escola e entendemos que as aulas foram paralisadas, com previsão de mudança temporária para outro local. Essa é mais uma escola que já está inserida nos relatórios elaborados pela Defensoria através do Gidec”, explicou.
Gidec também vistoriou escola na Zona Leste
Na segunda-feira (21), a Defensoria Pública realizou a primeira inspeção do Gidec na Escola Estadual Vasco Vasques, na Zona Leste de Manaus.
Durante a fiscalização, foram identificados problemas relacionados à refrigeração do espaço utilizado para armazenar a merenda escolar. A equipe também encontrou livros didáticos armazenados sem o devido uso ou distribuição, além de exemplares espalhados por diferentes espaços da unidade.
Grupo acompanha aplicação de recursos na educação
O Grupo de Trabalho Intersetorial de Defesa da Educação e Cidadania (Gidec) foi implementado em agosto de 2026, após a divulgação do último levantamento do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que apontou o Amazonas com o menor desempenho do ensino médio do país, com 3,8 pontos.
A avaliação considera o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática, além das taxas de aprovação escolar.Desde a criação do grupo, a Defensoria Pública busca avaliar a aplicação dos recursos mínimos obrigatórios destinados à educação no Estado. O trabalho também pretende acompanhar a destinação e a utilização desses recursos.
Entre as frentes de atuação estão o acompanhamento do piso salarial e da falta de professores, o monitoramento da merenda escolar e a cobrança pela retomada de obras de creches e escolas que estão paralisadas.



