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A saúde ‘sangra’ no governo Roberto Cidade: retenção de macas em hospitais deixam ambulâncias fora das ruas e custa vidas no Amazonas

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A saúde ‘sangra’ no governo Roberto Cidade: retenção de macas em hospitais deixam ambulâncias fora das ruas e custa vidas no Amazonas

Manaus – O problema das macas do Samu retidas em hospitais de Manaus tem um ponto central: a maior parte das ocorrências está concentrada em unidades da rede estadual de saúde, sob responsabilidade do Governo do Amazonas.

Somente entre janeiro e 21 de setembro, foram registradas 2.124 retenções, que provocaram 3.431 horas de ambulâncias paradas e fizeram com que 2.287 atendimentos deixassem de ser realizados.

O gargalo aparece principalmente nos grandes hospitais de urgência e emergência. Levantamento anterior da Semsa mostrou que 93,5% das retenções ocorreram no Hospital 28 de Agosto, João Lúcio e Platão Araújo: 41,8%, 39,1% e 12,6%, respectivamente.

A própria SES-AM identifica essas três unidades como integrantes da rede estadual de saúde. “A retenção de macas é vedada pela Lei Estadual nº 6.495/2023, que prevê responsabilização direta do gestor da unidade. Além disso, a ausência de planejamento para evitar esse tipo de situação, em tese, pode configurar omissão de socorro, prevaricação e até improbidade administrativa”, afirma.

Na prática, quando uma ambulância leva um paciente ao hospital, a maca precisa ser liberada para que o veículo volte às ruas. Se o equipamento permanece com o paciente dentro da unidade, a ambulância também fica parada e indisponível para uma nova emergência.

Foi exatamente esse impacto que a Defensoria Pública constatou: durante inspeção no 28 de Agosto, quatro macas estavam retidas e uma delas permanecia no hospital havia quase três horas.

Por isso, embora o Samu seja um serviço municipal, a indisponibilidade registrada nesses casos ocorre depois da chegada das ambulâncias às unidades estaduais.

O gerente técnico do Samu explicou à Defensoria que, enquanto a maca não é liberada pelo hospital, o veículo não consegue retornar à operação, provocando desassistência em outras regiões da cidade. É aí que entra a cobrança por um posicionamento do atual governador Roberto Cidade.

O cenário amplia as cobranças sobre a administração estadual comandada pelo governador Roberto Cidade. A Defensoria afirma que as medidas apresentadas até agora não foram suficientes para resolver o problema e atribuiu a situação a uma “falta de planejamento”.

O órgão também informou que encaminhou questionamentos à Secretaria de Estado de Saúde, mas a SES-AM não havia respondido aos ofícios mencionados na apuração divulgada nesta quinta-feira (24).

Assim, os números mostram que não se trata de uma dificuldade operacional do Samu: o principal ponto de retenção está dentro da rede hospitalar estadual, responsabilidade do governador. Quando essas unidades não conseguem liberar rapidamente o paciente e devolver a maca, o efeito chega diretamente às ruas de Manaus, onde ambulâncias ficam impedidas de atender quem aguarda por socorro.


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