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Testemunhas denunciam indiferença com a vítima e possível omissão de socorro no caso Ruan: “A situação mais absurda que já presenciei”; vídeo

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Testemunhas denunciam indiferença com a vítima e possível omissão de socorro no caso Ruan:  “A situação mais absurda que já presenciei”; vídeo

Manaus – A trágica morte do técnico de enfermagem Ruan Silveira Ferreira, de 27 anos, ocorrida nas águas do Rio Negro, em Manaus, está no centro de uma investigação policial que tenta esclarecer não apenas as causas do afogamento, mas o comportamento das pessoas que o acompanhavam. O caso, apurado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), ganhou forte repercussão nas redes sociais após testemunhas relatarem uma cena considerada “absurda” ao redor do corpo do jovem.

Resumo do Caso

  • Ruan Silveira Ferreira, de 27 anos, foi encontrado sem vida na Praia da Lua, em Manaus.

  • A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros (CBMAM) foram acionados para uma ocorrência de possível afogamento.

  • O grupo que estava com o jovem afirmou tê-lo conhecido horas antes, em uma boate, antes de alugarem uma lancha.

  • Testemunhas denunciam nas redes sociais que os acompanhantes continuaram consumindo álcool e rindo ao lado do corpo.

  • A DEHS investiga as circunstâncias da morte e apura possível omissão de socorro.

A dinâmica da ocorrência

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, agentes da 19ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) chegaram à Praia da Lua com o apoio do Corpo de Bombeiros, mas encontraram Ruan já sem sinais aparentes de vida na faixa de areia.

Os relatos prestados às autoridades indicam que o grupo que acompanhava Ruan o conheceu na noite anterior, durante uma festa na boate All Night. Na madrugada de sábado, eles decidiram alugar uma lancha e seguiram para a Praia da Lua. Segundo essa versão, o técnico de enfermagem apresentava sinais de embriaguez quando resolveu mergulhar no Rio Negro, momento em que desapareceu nas águas. Ele acabou sendo retirado do rio por outros frequentadores do local.

“A situação mais absurda”: relatos apontam frieza

O que agrava o clima de consternação em torno da tragédia são os relatos contundentes de testemunhas oculares, que descrevem uma postura de indiferença por parte do grupo que estava com Ruan.

Em uma postagem, o perfil identificado como Pomarola escreveu: “Eu ainda estou pensando no moço que morreu. Sobretudo porque as pessoas que estavam com ele simplesmente continuaram bebendo e rindo ao lado do corpo.”.

Essa denúncia é corroborada por um vídeo em que uma testemunha, identificada como Mateus Gomes, que detalha o momento em que encontrou a cena. O homem relata que havia atracado sua lancha no final da Praia da Lua quando uma amiga se aproximou afirmando que havia um corpo no local. “Ela falou ‘tô falando sério, vamos lá comigo. Até agora não chegou ninguém e tá tudo normal lá'”, contou o rapaz.

A situação pareceu tão irreal que a testemunha inicialmente duvidou. “Eu, particularmente, achava até que era brincadeira dela (…) porque foi uma situação tão estranha no momento”, explicou. Ao verificar com os próprios olhos, o choque foi imediato: “Eu me deparei ontem com a situação mais absurda que eu já presenciei na minha vida. Uma coisa assim, extremamente fora de qualquer normalidade”.

Investigações em andamento

As publicações nas redes sociais levantaram a hipótese de omissão de socorro, embora a Polícia Civil, até o momento, não tenha confirmado a tipificação de qualquer crime relacionado à conduta dos presentes. Os citados também não se pronunciaram publicamente sobre as acusações.

Após a perícia preliminar, o Corpo de Bombeiros transportou o corpo da vítima até a Marina do Davi, sendo em seguida encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). A DEHS segue investigando a dinâmica do passeio de lancha, o mergulho e ouvindo os depoimentos para esclarecer as responsabilidades.

Luto e comoção

Ruan Silveira era um profissional querido, atuando como técnico de enfermagem intensivista adulto, além de ser estudante de Ciências Biológicas no Instituto Federal do Amazonas (Ifam). Nas redes sociais, o jovem compartilhava sua paixão pelos esportes, pela cultura amazonense e pelo seu trabalho.

O Complexo Hospitalar Sul, onde Ruan trabalhava, emitiu uma nota de pesar lamentando profundamente a perda do profissional e prestando solidariedade aos familiares, amigos e pacientes que sentem sua partida precoce.


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