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Exclusivo: pai quebra o silêncio sobre Diretor acusado de pedofilia com alunos em Manaus: “Tenham coragem de denunciar pelos filhos de vocês”; veja vídeo

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Exclusivo: pai quebra o silêncio sobre Diretor acusado de pedofilia com alunos em Manaus: “Tenham coragem de denunciar pelos filhos de vocês”; veja vídeo

Manaus – O que deveria ser um ambiente de proteção e aprendizado transformou-se em um cenário de medo e manipulação psicológica. Novas revelações sobre o caso do pedagogo Danilo Batista de Souza, ex-diretor do Centro Integrado de Municipal de Educação (CIME) Senador Artur Virgílio do Carmo Ribeiro Filho, apontam para a existência de uma estrutura articulada de predação sexual que utilizava o Grêmio Estudantil e a cumplicidade de profissionais da educação para vitimar adolescentes e silenciar denúncias.

Em entrevista exclusiva à reportagem do CM7, o pai de uma das alunas da instituição, que solicitou anonimato por razões de segurança, rompeu o silêncio nesta segunda-feira (27/4) e descreveu um “estrutura de proteção” que permitiu ao gestor operar com impunidade durante anos. Segundo o relato, o diretor não agia sozinho: ele teria formado um corpo docente de confiança, composto por pelo menos três professoras que funcionavam como seu braço direito, blindando-o de críticas e manipulando a percepção de pais e alunos.

O Grêmio Estudantil e os “Privilégios”

Um dos pontos mais alarmantes da denúncia reside na forma como o Grêmio Estudantil era instrumentalizado. Longe de ser uma representação democrática dos alunos, o grupo era criteriosamente formado por estudantes escolhidos a dedo pelo próprio diretor. “Ele tinha uma facilidade de acesso com esse pessoal do grêmio. Eles ficavam em horários diferenciados na escola e eram claramente favorecidos”, revelou o entrevistado.

Esse favoritismo incluía saídas noturnas para pizzarias e idas a banhos (balneários), justificadas sob o pretexto de “recompensa por boas notas”. O que parecia ser um incentivo acadêmico, no entanto, escondia um comportamento predatório. “Todo mundo na escola sabia disso, mas quem tentava denunciar algo relacionado a aliciamento ou pedofilia era imediatamente alvo de represálias”, explicou o pai.

A Estratégia do Extermínio Escolar

Para manter o controle e a imagem de “Doutor em Educação”, Danilo Batista utilizava o desligamento institucional como ferramenta de terror. Segundo o relato, sempre que um aluno tentava quebrar o silêncio sobre comportamentos inadequados, o diretor acionava seu círculo de professoras aliadas. O método era cruel: o pai do aluno era chamado e recebia um relatório negativo sobre o filho, afirmando que o jovem “não prestava” ou tinha problemas de conduta.

“Ele conseguia expulsar o aluno antes que a denúncia ganhasse corpo. Se pegarmos a lista de alunos expulsos e conversarmos com eles, a maioria vai confirmar que foi por perseguição por terem visto o que não deveriam”, afirmou o denunciante. Um caso recente envolve um estudante de alto desempenho, aprovado no exame da Fundação Matias Machline, que teria sido removido da escola após tentar relatar os abusos a uma das professoras do círculo de confiança de Danilo.

Provas Digitais e o “Perfil Dix”

O esquema começou a ruir quando provas digitais vieram à tona. O uso de um perfil secundário no Instagram, conhecido como “dix” (danilobatista1992.real), era o canal preferencial para o aliciamento. Foi através desse perfil que mensagens estarrecedoras foram enviadas a estudantes, incluindo propostas de “trisais forçados” e convites para que adolescentes fossem ao seu apartamento em um condomínio de Manaus.

O pai entrevistado descreveu o choque ao descobrir a realidade através de capturas de tela. “A bomba explodiu quando vi as mensagens. Ali ficou claro: era crime, era aliciamento, era pedofilia. Minha filha tinha medo de falar porque via outros sendo expulsos por tentarem denunciar. Eles nunca falam diretamente, falam por códigos, mencionam que ‘fulano foi embora porque tentou arrumar confusão'”, relatou.

“Fake News” como Escudo e Transferência de Risco

Mesmo diante de Boletins de Ocorrência registrados na Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), o ex-gestor mantinha uma postura de negação agressiva. Sua principal defesa era classificar todas as acusações como “fake news” ou alegar que suas redes sociais haviam sido hackeadas.

A maior preocupação das famílias agora é a continuidade do ciclo de abusos. Embora a Secretaria Municipal de Educação (SEMED) tenha afastado o diretor do CIME, informações indicam que ele teria sido transferido para uma outra unidade de educação infantil. “O crime vai continuar. Se ele está impune há anos, não vai parar agora que está em outra escola com crianças ainda menores e mais vulneráveis”, alertou o pai durante a entrevista.

Um Apelo por Coragem e Justiça

Atualmente, a escola passa por uma nova gestão que tenta contornar os danos deixados pela administração anterior. O Grêmio Estudantil foi desativado e as investigações na Polícia Civil avançam com a inclusão de novos depoimentos.

O encerramento da entrevista serviu como um apelo desesperado à comunidade escolar de Manaus. O denunciante parabenizou o pai do adolescente de 16 anos que teve a coragem de registrar o primeiro Boletim de Ocorrência formal, desencadeando a investigação atual.

“Não tenham medo. Se seu filho foi expulso sem motivo claro, se ele estudou com esse diretor, chame-o para conversar. Procurem a DEPCA. Não adianta apenas postar em redes sociais; é preciso formalizar para que ele seja preso o mais rápido possível. A impunidade se alimenta do nosso silêncio”, concluiu.

A sociedade manauara agora aguarda uma resposta firme das autoridades e da Justiça. O caso de Danilo Batista de Souza não é apenas um escândalo administrativo, mas um teste para a capacidade das instituições de proteger o bem mais precioso de qualquer comunidade: suas crianças e adolescentes.

Nota da SEMED

“A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), informa que, assim que tomou conhecimento do suposto caso de assédio envolvendo um gestor escolar e estudantes do Centro Integrado Municipal de Educação (Cime) Senador Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro Filho, adotou imediatamente as providências cabíveis, realizando o afastamento preventivo do servidor, enquanto as medidas administrativas e de apuração dos fatos estão em andamento. A Semed repudia veementemente qualquer tipo de crime ou conduta que coloque em risco a integridade física e emocional dos estudantes e reforça que a segurança, a proteção e o bem-estar dos alunos são prioridades absolutas da rede municipal de ensino”.


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