Delegado Cícero Túlio sai em defesa de investigador alvo de operação da PF e diz que prisão pode ter sido um “equívoco”; veja

Manaus – Na manhã desta terça-feira (9), a Polícia Federal (PF), em conjunto com o Ministério Público do Estado do Amazonas (Proceap/MPAM), deflagrou a “Operação Piloto de Fuga”. A ação resultou na prisão do investigador da Polícia Civil Luciano de Souza Grangeiro, detido em sua residência no bairro Parque das Laranjeiras. Ele é apontado como facilitador em um esquema criminoso responsável pelo roubo de 77 barras de ouro de extração ilegal, uma carga avaliada em cerca de R$ 45 milhões, ocorrido em outubro de 2025.
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do investigador e também dentro do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), local onde o agente público está lotado, o que gerou uma rápida reação da chefia da unidade policial.
Logo após a deflagração da ofensiva, o delegado titular do 1º DIP, Cícero Túlio, emitiu um comunicado à imprensa disparado em mensagens de aplicativo saindo em defesa do subordinado. Na nota, o delegado classifica a inclusão do investigador na mira da PF como um possível “equívoco” e pede parcimônia na divulgação do caso.
O álibi e a transferência de culpa
A estratégia de defesa da delegacia e do escritório Martins & Lira Advogados, que representa o investigador, concentra-se em desvincular Luciano da cena do crime e do veículo supostamente utilizado no esquema: um Chevrolet Onix prata.
Segundo a nota do delegado e a petição protocolada junto ao Ministério Público, imagens de câmeras de segurança e registros técnicos de geolocalização comprovariam que, na data dos fatos (29 de outubro de 2025), Luciano estava em sua residência e, no final da tarde, saiu dirigindo uma viatura cautelada Toyota Hilux preta para buscar o filho em uma academia na Avenida das Torres.
O delegado Cícero Túlio argumenta que o investigador só foi arrastado para o inquérito da Polícia Federal por ter tido contato com o Chevrolet Onix no dia seguinte ao crime (30 de outubro). De acordo com a versão apresentada, Luciano cumpria uma determinação superior para ir ao Residencial Mundi recolher o veículo e as armas que estariam sob a responsabilidade de um colega de equipe, o investigador Felipe Pinto.
A nota da Polícia Civil afirma que Felipe Pinto era o alvo inicial das apurações da PF e que a posse do Onix não pertencia a Luciano no momento do roubo milionário. A defesa sustenta que punir o investigador com base em “suposições que ignorem o álibi comprovado” configura violação ao devido processo legal.
Desdobramentos
A “Operação Piloto de Fuga” é um desdobramento da “Operação Auxílio Criminoso”, deflagrada no final de maio, que já mirava a atuação de agentes públicos na ocultação e desvio de minério ilegal. Apesar da tentativa do 1º DIP de isolar o caso como uma mera confusão de datas e veículos, a PF cumpriu a prisão preventiva do investigador, indicando que a investigação possui indícios robustos de sua participação na rede de desvio.
Até o fechamento desta matéria, a Polícia Federal não comentou a nota divulgada pelo delegado Cícero Túlio ou as provas protocoladas pela defesa. A Superintendência da PF e a Delegacia-Geral da Polícia Civil seguem acompanhando o caso, enquanto o investigador permanece à disposição da Justiça.












