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“Churrasco, cerveja e bola”: PMs presos em Manaus debochavam com as esposas: “população só não pode saber como é aqui dentro”; veja vídeo

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“Churrasco, cerveja e bola”: PMs presos em Manaus debochavam com as esposas: “população só não pode saber como é aqui dentro”; veja vídeo

Manaus – O escândalo que chocou o Amazonas, inicialmente trazido à tona com exclusividade pelo portal local CM7 Brasil e que ganhou repercussão nacional em uma grande reportagem do Fantástico, da Rede Globo, revelou que o que era para ser uma unidade prisional de segurança para policiais militares em Manaus funcionava, na verdade, como um “resort” sem regras. Uma investigação do Ministério Público do Amazonas (MPAM) confirmou o cenário de total descontrole denunciado pela imprensa, onde churrascos, cerveja gelada, partidas de futebol e saídas livres faziam parte do cotidiano dos detentos.

No local, 71 policiais respondiam por acusações gravíssimas, incluindo homicídio, tráfico de drogas e estupro. No entanto, a rotina interna passava longe do rigor da lei.

O deboche nas mensagens: “Aqui é cadeia” só para os outros

O nível de regalia era tamanho que os próprios detentos ironizavam a situação. Em mensagens interceptadas pela polícia no celular do sargento Douglas Napoleão, condenado por comércio ilegal de armas, o deboche com o sistema ficou evidente em uma conversa com sua companheira.

Companheira: “Tá sendo uma espécie de férias pra você, né? Pelo menos tá descansando dos trabalhos do dia a dia.”

Sargento Douglas: “Mais ou menos… a população só não pode saber como é aqui dentro. Para todos os efeitos, aqui é cadeia.”

O sargento foi flagrado em vídeos gravados por ele mesmo aproveitando o tempo livre de bermuda, sem camisa, jogando futebol na quadra de uma escola vizinha e ostentando cordões de ouro, desfrutando de uma liberdade que a população do lado de fora sequer imaginava.

Propina a “preço popular” e o álibi perfeito

De acordo com o promotor de Justiça Armando Gurgel, o controle sobre a custódia dos presos era inexistente devido a um esquema corrupto de facilitação de saídas mediante o pagamento de propinas baixas.

Valores da liberdade: Os detentos pagavam entre R$ 50 e R$ 70 para os plantonistas para poderem sair da prisão sem qualquer tipo de escolta ou monitoramento.

O álibi perfeito: Durante uma fiscalização surpresa realizada pela promotoria, foi constatada a ausência de 23 detentos. Segundo o MP, esse “passe livre” permitia que os policiais saíssem para cometer novos crimes e, caso fossem suspeitos, utilizavam o registro da prisão como o álibi perfeito de que estavam trancados.

Além disso, celulares entravam facilmente na unidade. Outro PM detido foi flagrado gravando vídeos de dentro da sua cela para anunciar e negociar a venda de armas de fogo pelas redes sociais.

Compras, perfumes e passeio com facão na mão

Fora das grades, a vida dos acusados seguia normal. Câmeras de segurança de um mercadinho vizinho e de lojas de departamento registraram a circulação livre do sargento Saimon Macambira Jezini, acusado de ser o mandante de uma tentativa de homicídio.

Mesmo formalmente preso, Saimon foi flagrado dirigindo um carro de luxo branco pela capital amazonense. Em um dos flagrantes, ele aparece em uma loja de departamento acompanhado da esposa e de outro homem:

O fim da “colônia de férias” e a nova estrutura

Diante da gravidade e da repercussão dos fatos expostos, as autoridades do Estado do Amazonas decidiram desativar definitivamente o antigo Núcleo Prisional da Polícia Militar, que nunca havia sido projetado estruturalmente para funcionar como um presídio.

Os policiais detidos foram transferidos para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar (UPPM/AM), alocada nas dependências da antiga Penitenciária Feminina (Cefec). O novo complexo foi totalmente reformado e preparado para recebê-los de forma isolada, funcionando de maneira totalmente à parte dos presos comuns. A estrutura conta com as próprias muralhas do sistema penitenciário para garantir o isolamento e uma custódia efetiva.

A transferência gerou forte resistência, com protestos de familiares que tentaram fechar a rua e dos próprios PMs, mas a mudança foi finalizada de forma voluntária, sem a necessidade de uso de força tática.

O Comando Geral da Polícia Militar informou que trocou a direção da unidade, colocou tropas especializadas para fazer a gestão e que abriu procedimentos de responsabilização contra os policiais que fraudaram a custódia. Agora, a expectativa das autoridades é de que os detentos finalmente passem a cumprir as regras rígidas do sistema penitenciário.


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