Caso de polícia: vereador Salazar é denunciado após ameaçar dar tiros em dono de portal
Manaus – O vereador da Câmara Municipal de Manaus (CMM) Sargento Salazar (PL) tornou-se alvo de um boletim de ocorrência (BO) registrado por ameaça de morte contra o empresário e proprietário do portal AM Post, Hugo Guimarães. O episódio, ocorrido em 19 de janeiro de 2026, envolve declarações feitas pelo parlamentar em vídeo publicado nas redes sociais, interpretadas como intimidação direta com referência ao uso de arma de fogo contra um profissional da imprensa.
De acordo com o relato oficial levado à Delegacia Especializada em Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Civil do Amazonas, o BO foi motivado por uma publicação do portal AM Post que analisava a atuação política de Salazar, incluindo o uso de sua cota parlamentar em 2025. Em resposta, o vereador gravou e divulgou um vídeo em sua conta no Instagram com falas agressivas.
Entre as frases destacadas no registro policial e repercutidas em diversas reportagens, Salazar teria dito: “Ah tu quer ir para a porrada comigo? Tenta a sorte. Primeiro que eu não sei brigar, eu aprendi foi atirar. Experimenta me agredir na rua para ver se eu não vou fazer tu usar duas antenas parabólicas uma em cada perna”. As expressões foram interpretadas como ameaça explícita de violência armada, gerando temor pela integridade física de Guimarães, que alega exercer jornalismo informativo baseado em fatos de interesse público.
O dono do portal afirmou que as reportagens do AM Post visam apenas informar a população, sem caráter pessoal, mas que o vídeo aumentou significativamente sua sensação de insegurança. O link do conteúdo postado pelo vereador foi anexado como prova no BO, e a Polícia Civil agora analisa o material para definir a tipificação penal – possivelmente enquadrando o caso em crimes como ameaça (art. 147 do Código Penal) ou incitação à violência, agravados pelo contexto de intimidação à imprensa e pelo meio digital.
O caso reacende debates sobre liberdade de expressão, ataques à imprensa na Amazônia e o limite entre crítica política e abuso de autoridade por parte de agentes públicos.

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Possibilidade de perda do mandato
Embora o registro de BO seja o primeiro passo formal, a evolução do caso pode trazer consequências graves ao mandato de Salazar, especialmente se houver avanço na esfera penal ou disciplinar. No Brasil, vereadores podem perder o mandato por cassação em hipóteses previstas na Constituição Federal (art. 55, aplicável por analogia), no Decreto-Lei 201/1967 (ainda referência para improbidade e crimes funcionais) e na Lei Orgânica do Município de Manaus, além do Regimento Interno da CMM.
Principais caminhos para eventual perda do mandato:
– Condenação criminal transitada em julgado — Se o inquérito policial evoluir para denúncia do Ministério Público e resultar em condenação definitiva por crime como ameaça qualificada ou outro delito doloso com pena superior a certo patamar, pode haver perda automática do mandato (por quebra de decoro ou suspensão de direitos políticos). Casos recentes em outras cidades mostram vereadores cassados por tentativa de homicídio ou crimes violentos.
– Processo de cassação por quebra de decoro parlamentar — A Câmara Municipal de Manaus pode instaurar representação (por iniciativa de qualquer vereador, cidadão ou entidade) para apurar conduta incompatível com a dignidade do cargo. Ameaças públicas, especialmente contra a imprensa, podem ser enquadradas como atentado ao decoro. O processo envolve comissão especial, defesa e votação em plenário (geralmente requer maioria absoluta ou qualificada, conforme regimento). Exemplos recentes na CMM incluem pedidos de cassação por improbidade ou prisão por rachadinha, que avançam (ou travam) conforme pressão política e do MP.
Estamos em janeiro de 2026, período de recesso legislativo na maioria das câmaras municipais. As sessões ordinárias retomam em fevereiro, o que pode acelerar eventuais representações ou debates sobre o caso. Se denúncias forem protocoladas na CMM nos próximos dias, o presidente da Casa tem obrigação de encaminhar à comissão de ética, sob pena de questionamento judicial ou via MP.
Até o momento, não há confirmação de instauração de processo na Câmara nem condenação penal. O andamento dependerá da celeridade da investigação policial, da posição do Ministério Público e da pressão da sociedade civil e da imprensa. O episódio já gerou forte repercussão em portais locais e redes sociais, com notas de repúdio à intimidação jornalística. Salazar chegou a perder 200 mil inscritos nas redes sociais.
A reportagem acompanha o desenrolar do caso.



