Caso Benício: diretores do Hospital Santa Júlia são indiciados por homicídio culposo em Manaus; veja vídeo

Amazonas – A Polícia Civil do Amazonas concluiu o inquérito sobre a trágica morte do pequeno Benício, de 6 anos, ocorrida em novembro do ano passado no Hospital Santa Júlia, em Manaus. As investigações trouxeram graves desdobramentos sobre a responsabilidade da cúpula administrativa da instituição: os diretores Antônio Guilherme Macedo e Edson Sarkis Júnior, responsáveis pelas contratações da unidade, foram indiciados por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas a morte é resultado de negligência. As informações foram reveladas pelo Fantástico neste último domingo (3/5).
De acordo com as autoridades, o erro médico que tirou a vida da criança foi potencializado por falhas estruturais e administrativas profundas. A polícia constatou que o hospital operava com um subdimensionamento de profissionais, não havendo um número suficiente de enfermeiros no dia do ocorrido. Além disso, faltava um farmacêutico de plantão, profissional que seria responsável pela “dupla checagem” da prescrição de medicamentos de alta vigilância. Segundo os investigadores, a negligência nas contratações teve motivação financeira, visando economizar recursos para aumentar os lucros do hospital em detrimento da segurança dos pacientes.
Uma sucessão de erros e descaso
Benício deu entrada no hospital apresentando apenas uma tosse seca, um quadro que não aparentava gravidade. No entanto, a médica Juliana Brasil prescreveu erroneamente uma injeção de adrenalina na veia, quando o procedimento correto seria a aplicação por inalação.
A medicação letal foi administrada pela técnica de enfermagem Raiza Bentes. O inquérito aponta que Raiza ignorou alertas cruciais: a mãe do menino avisou que ele nunca havia recebido adrenalina daquela forma, e uma colega de trabalho chegou a preparar um kit de nebulização, orientando-a sobre a via correta. Ainda assim, a técnica optou por aplicar a injeção intravenosa, causando uma overdose que levou à morte do menino 14 horas depois, na UTI.
Tanto Juliana Brasil quanto Raiza Bentes foram indiciadas por homicídio doloso com dolo eventual, pois a polícia compreende que ambas assumiram o risco de matar ao ignorar os protocolos básicos de segurança e se mostrarem indiferentes ao resultado.
Venda de maquiagem na UTI e fraude processual
O inquérito revelou detalhes perturbadores sobre o comportamento da médica Juliana Brasil. Enquanto Benício agonizava na chamada “sala vermelha” e lutava pela vida, a médica trocava mensagens de celular vendendo cosméticos e maquiagens para uma cliente. O delegado responsável pelo caso destacou a ausência total de empatia e pesar por parte da profissional.
Além do homicídio, Juliana Brasil responderá por falsidade ideológica (por se apresentar como pediatra sem possuir a especialidade) e por fraude processual. Durante as investigações, ela tentou enganar a Justiça apresentando um vídeo em que simulava uma suposta falha no sistema digital do hospital, alegando que o software havia trocado a via de administração do medicamento sozinho — o que foi desmentido pela perícia técnica.
O que dizem os envolvidos
Hospital Santa Júlia: A assessoria informou que a instituição ainda não foi comunicada oficialmente sobre o indiciamento de seus diretores. O hospital afirma que permanece à disposição das autoridades e reafirma seu compromisso com a qualidade da assistência e a segurança dos pacientes.
Defesa de Juliana Brasil: Nega a participação da médica na morte, sustentando a tese de que houve erro no sistema de prescrição e falhas na intubação da criança. Sobre a venda de cosméticos, o advogado alegou que a médica já havia encerrado o atendimento a Benício e “tocou sua vida”.
Defesa de Raiza Bentes: Afirma que as manifestações serão feitas exclusivamente nos autos do processo e informou que a técnica de enfermagem está suspensa do exercício profissional por desinteresse em continuar na área.
Para Bruno Mello de Freitas e Joyce Xavier de Carvalho, pais de Benício, o encerramento do inquérito é um passo fundamental na busca por justiça. O quarto do menino permanece intacto, exatamente como ele deixou, guardando as lembranças de uma criança forte e amorosa, cuja vida foi interrompida por uma cadeia de negligências que, agora, a Justiça busca punir.
Créditos: reportagem original do Fantástico








