Alunas revelam como foram ameaçadas e abusadas sexualmente pelo professor de jiu-jítsu Melqui Galvão
Por Oliveira em 4 de maio de 2026 às 10:37

Brasil – O programa Fantástico, exibido neste domingo (3), apresentou novas informações sobre o caso que levou à prisão do lutador e treinador de jiu-jítsu Melqui Galvão, investigado por denúncias de manipulação, ameaça e abuso sexual envolvendo ex-alunas, incluindo menores de idade.
Uma das vítimas relatou que ainda era adolescente quando passou a integrar a equipe do treinador. Em uma viagem para competição internacional, ela afirma ter recebido um medicamento oferecido por Melqui para “relaxar” antes do evento. Após dormir, a jovem diz ter acordado com o treinador tocando seu corpo. Assustada, conseguiu se afastar.
“Ele colocou a mão dentro da minha blusa e foi a hora que eu acordei… eu fiquei com muito medo ali na hora e acordei num susto”, relatou.
Outra ex-aluna afirmou que iniciou os treinos ainda na infância e que os episódios de assédio começaram quando tinha 12 anos. Segundo o depoimento, dois anos depois ela teria sido vítima de relação sexual com o treinador. A jovem afirma que, na época, não denunciou por medo e pela influência exercida por ele.
“Ele sempre quis passar para mim que era uma situação muito normal, que ele já tinha relações com outras alunas”, disse.
Uma terceira vítima relatou que não sofreu abuso sexual, mas afirmou que havia controle rígido sobre a alimentação das atletas e supostas insinuações de benefícios em troca de proximidade com o treinador.
Padrão de conduta sob investigação
Segundo a polícia, novas denúncias começaram a surgir após a prisão do treinador, indicando um possível padrão de comportamento ao longo dos anos. A investigação aponta que ele se aproximava das vítimas a partir de sua posição de liderança no esporte.
“A gente percebe a existência de um padrão de conduta que consiste em uma aproximação inicial devido à figura de líder, de um atleta renomado. Ele ganha a confiança da vítima e da família. Aí vai escalonando as condutas até chegar aos abusos”, afirmou a delegada Mariene Andrade.
As investigações também apontam que o suspeito teria usado sua condição de policial civil para intimidar vítimas, o que teria contribuído para o silêncio de algumas delas.
“Uma das vítimas mencionou que ele falou claramente que, se ela fizesse a denúncia, ele saberia porque ele é policial civil”, acrescentou a delegada.
Prisão e investigação
De acordo com a Polícia Civil, três ex-alunas formalizaram denúncias. A Justiça de São Paulo autorizou a prisão temporária após identificar indícios de tentativa de interferência nas investigações e possível destruição de provas. Também foi autorizada a quebra de sigilo de dispositivos eletrônicos do investigado.
Melqui Galvão responde por crimes como estupro de vulnerável, importunação sexual, ameaça e invasão de dispositivo informático.
Ele foi preso em Manaus, onde atua como policial civil. A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas informou que ele foi afastado das funções públicas enquanto o caso é apurado, e que a Corregedoria-Geral também abriu procedimento interno para investigar possíveis irregularidades no exercício do cargo.
A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil de São Paulo e tramita sob sigilo. Segundo os investigadores, além das denúncias já formalizadas, novas informações têm surgido desde a prisão, o que pode ampliar o número de vítimas e o alcance das apurações.
A Justiça autorizou a prisão temporária após apontar indícios de tentativa de interferência na investigação e possível ocultação ou destruição de provas. Também foi determinada a quebra do sigilo de celulares e dispositivos eletrônicos ligados ao investigado, que podem ajudar a esclarecer a dinâmica dos fatos.
O caso envolve acusações de crimes como estupro de vulnerável, importunação sexual, ameaça e invasão de dispositivo informático. A polícia trabalha para reconstruir a cronologia dos acontecimentos e identificar possíveis outros envolvidos ou situações ainda não relatadas.
No meio esportivo, o caso teve forte repercussão. Entidades ligadas ao jiu-jítsu se manifestaram sobre as denúncias e acompanham o desdobramento das investigações. Já a defesa de Melqui Galvão afirma que ele nega todas as acusações e sustenta que ainda não teve acesso integral aos elementos do processo, reiterando que o treinador está à disposição da Justiça.
As vítimas seguem sendo ouvidas e afirmam esperar que o caso resulte em responsabilização e sirva de proteção para outras jovens atletas.








