Trump publica imagem com Groenlândia, Canadá e Venezuela anexados aos EUA
Mundo – Na madrugada de terça-feira (20 de janeiro de 2026), o presidente Donald Trump publicou uma série de imagens geradas ou editadas por inteligência artificial na plataforma Truth Social, reacendendo debates sobre soberania territorial e gerando reações de indignação no Canadá, na Dinamarca e em outros aliados.
A primeira postagem exibe uma foto aparentemente alterada do Salão Oval, capturada originalmente durante uma reunião com líderes europeus (incluindo Emmanuel Macron, Keir Starmer e Ursula von der Leyen) sobre a Ucrânia, em agosto de 2025. No fundo da imagem editada, um mapa apresenta o Canadá inteiro, a Groenlândia (território autônomo da Dinamarca) e a Venezuela pintados nas cores da bandeira americana — vermelho, branco e azul —, sugerindo incorporação ao território dos Estados Unidos.
Para reforçar a mensagem, Trump compartilhou em seguida outra imagem de estilo AI: ele próprio aparece fincando uma bandeira dos EUA no solo gelado da Groenlândia, acompanhado do vice-presidente J.D. Vance e do secretário de Estado Marco Rubio. Ao lado, uma placa declara “Groenlândia: território dos EUA. Est. 2026”.
As postagens fazem parte de uma escalada retórica do presidente, que desde o retorno ao poder tem reiterado publicamente o interesse estratégico na Groenlândia — por sua posição no Ártico, recursos minerais raros e bases militares. Trump já declarou que “não há volta” nessa questão, recusou-se a descartar o uso da força e ameaçou tarifas comerciais contra a Dinamarca e outros membros da OTAN que resistam.
A sequência provocou reações imediatas:
– No Canadá, o gesto foi visto como afronta direta à soberania, com autoridades e mídia destacando o absurdo de incluir um país independente e aliado próximo no mapa americano.
– Na Dinamarca e na Groenlândia, líderes reforçaram que o território “pertence aos groenlandeses” e que qualquer ação unilateral romperia com o direito internacional e poderia “acabar com a OTAN”, como alertou a primeira-ministra dinamarquesa.
– Na Europa, o episódio aumentou a preocupação com o tom expansionista de Trump, especialmente às vésperas de sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos.
– Críticos nos EUA classificaram as imagens como “trolling de alto nível” ou tentativa de normalizar ideias de anexação por meio de memes e simbolismo digital.
A Casa Branca não comentou oficialmente o conteúdo provocativo, mas fontes próximas ao presidente descrevem as postagens como “humor de pressão” destinado a forçar negociações vantajosas em segurança nacional, comércio e recursos estratégicos.
As imagens se somam a episódios anteriores, como declarações de Trump sobre a “formação bonita” entre EUA e Canadá (sem a “linha artificial” da fronteira) e posts de aliados próximos com mapas da Groenlândia colorida como bandeira americana e a legenda “SOON”.
Resta saber se essas provocações permanecerão no campo simbólico ou se evoluirão para propostas diplomáticas — ou militares — mais concretas nos próximos meses. Por enquanto, as postagens reforçam o estilo característico de Trump: uso agressivo das redes sociais, edição digital e mensagens de força para projetar poder e testar limites internacionais.


