Sexto dia de guerra entre Israel e Irã amplia tensão global e leva Europa a enviar navios ao Mediterrâneo
Mundo – O conflito entre Israel e Irã entrou no sexto dia nesta quinta-feira (5) com novos ataques, aumento expressivo no número de mortos e mobilização militar internacional. Enquanto mísseis, drones e operações direcionadas ampliam o alcance da guerra no Oriente Médio, países europeus passaram a reforçar sua presença naval no Mediterrâneo oriental diante do risco de expansão regional.
Uma das medidas mais imediatas partiu da Espanha, que anunciou o envio de sua fragata mais avançada para a região de Chipre após um ataque de drone atingir uma base militar britânica na ilha. O objetivo da missão é reforçar a defesa aérea do território e apoiar eventuais operações de retirada de civis estrangeiros caso a situação de segurança se deteriore.
A embarcação espanhola se juntará a uma força naval que já inclui o porta-aviões francês “Charles de Gaulle” e navios da marinha grega. A Itália também informou que enviará unidades de guerra nos próximos dias, em coordenação com parceiros europeus, ampliando a presença militar no entorno da ilha mediterrânea.
Ataques e mortes ampliam dimensão da guerra
No campo militar, a escalada de ataques entre os dois países continua. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado mísseis contra o Aeroporto Internacional Ben Gurion, principal terminal aéreo de Israel, além de uma base aérea instalada no complexo. Segundo o grupo, foram utilizados mísseis Khorramshahr-4, equipados com ogivas de grande potência.
Autoridades israelenses, porém, afirmaram que os projéteis foram interceptados pelo sistema de defesa aérea e não atingiram os alvos pretendidos.
Enquanto isso, o número de vítimas no Irã continua a crescer. De acordo com a Fundação dos Mártires e Assuntos dos Veteranos, ao menos 1.230 pessoas morreram no país desde o início dos ataques envolvendo forças israelenses e norte-americanas.
Líder do Hamas morto no Líbano
A guerra também repercute em outros pontos do Oriente Médio. Um ataque israelense contra o campo de refugiados palestinos de Beddawi, no norte do Líbano, matou Wasim Atala al-Ali, apontado como um dos líderes do Hamas.
Segundo a agência estatal libanesa ANI, um drone atingiu a casa do dirigente durante a madrugada, matando também sua esposa. Trata-se do primeiro integrante de alto escalão do grupo palestino morto em um ataque direcionado desde o início da nova fase do conflito regional.
Acusações diplomáticas e tensões globais
A disputa entre Israel e Irã também ganhou espaço no campo diplomático. Em Seul, os embaixadores dos dois países concederam coletivas separadas nesta quinta-feira.
O representante iraniano classificou a ofensiva como uma “agressão ilegal” conduzida por Israel com apoio dos Estados Unidos e defendeu ataques contra bases militares americanas no Golfo. Já o diplomata israelense afirmou que as operações militares têm como objetivo destruir instalações nucleares iranianas e “libertar o povo do Irã da opressão”.
O governo da Coreia do Sul declarou que pretende apoiar iniciativas diplomáticas para reduzir a tensão, sem endossar ações militares.
Fragata iraniana afundada eleva tensão com os EUA
Outro episódio que elevou o tom da crise foi o afundamento da fragata iraniana Dena, ocorrido na quarta-feira (4) ao sul do Sri Lanka. Segundo autoridades locais, a embarcação foi atingida por um submarino dos Estados Unidos, provocando pelo menos 87 mortes entre os cerca de 130 marinheiros a bordo e deixando dezenas de desaparecidos.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, acusou Washington de cometer uma “atrocidade” em águas internacionais e afirmou que os Estados Unidos “lamentarão profundamente o precedente criado”.
Apoio militar dos EUA a Israel
Apesar da escalada militar, autoridades israelenses indicam que o apoio de Washington permanece firme. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, pediu que a operação militar continue “até o fim”.
Segundo Katz, a mensagem transmitida pelos Estados Unidos foi clara: seguir com as ações militares contra o Irã enquanto considerarem necessário.
Com ataques ampliando o alcance geográfico do conflito e potências estrangeiras reforçando presença militar na região, analistas avaliam que o confronto caminha para uma fase ainda mais delicada, com risco crescente de envolvimento direto de novos países.


