Portugal terá segundo turno nas eleições presidenciais após 40 anos
Mundo – Portugal vive um momento político histórico. Pela primeira vez em quatro décadas, o país não conseguiu eleger seu presidente da República no primeiro turno das eleições.
A votação realizada neste domingo terminou sem que nenhum candidato alcançasse a maioria absoluta dos votos, o que levou a disputa para um segundo turno marcado para o dia 8 de fevereiro.
Com a maior parte das urnas apuradas, os dois candidatos mais votados foram António José Seguro, ex-líder do Partido Socialista (PS), e André Ventura, líder do partido Chega.
Seguro ficou em primeiro lugar, com pouco mais de 30% dos votos, enquanto Ventura apareceu em segundo, com cerca de 24%.
Outros nomes importantes da disputa ficaram para trás, como João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, o almirante Henrique Gouveia e Melo, que concorreu como independente, e Luís Marques Mendes, do Partido Social Democrata (PSD). A fragmentação dos votos evidenciou um cenário político dividido e sem consenso entre os eleitores portugueses.
Fim da era Marcelo Rebelo de Sousa
A eleição marca também o fim do ciclo do atual presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que deixa o cargo após dois mandatos consecutivos.
Pela Constituição portuguesa, ele não poderia disputar novamente o posto, abrindo espaço para uma das eleições presidenciais mais disputadas dos últimos anos.
Embora o cargo de presidente em Portugal tenha caráter majoritariamente institucional, o chefe de Estado possui poderes relevantes, como vetar leis aprovadas pelo Parlamento, dissolver a Assembleia da República e convocar novas eleições em momentos de crise política.
Disputa reflete mudança no cenário político
O avanço de André Ventura ao segundo turno confirma a consolidação do Chega como uma das principais forças políticas do país.
O partido, criado em 2019, cresceu rapidamente e tem apostado em discursos duros sobre imigração, segurança pública e combate à corrupção, atraindo eleitores insatisfeitos com os partidos tradicionais.
Já António José Seguro tenta se apresentar como uma opção de estabilidade, diálogo e defesa das instituições democráticas, buscando unir eleitores do centro e da esquerda para barrar o avanço da extrema direita.
Segundo turno promete embate acirrado
O segundo turno será decisivo não apenas para escolher o novo presidente, mas também para indicar os rumos políticos de Portugal nos próximos anos.
De um lado, a promessa de continuidade institucional; do outro, um discurso de ruptura com o sistema político tradicional.
Com o país dividido, a expectativa é de uma campanha intensa até fevereiro, com tentativas de ambos os candidatos de conquistar os eleitores que votaram em outras opções no primeiro turno.


