Irã marca a 1ª execução de manifestante preso em protesto contra o governo
Mundo – O clima de tensão no Irã voltou a ganhar força após a denúncia da família do manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, condenado à morte sem direito a advogado. Soltani pode ser executado já nesta quarta-feira (14), afirmou a organização curdo-iraniana Hengaw.
Segundo parentes, eles só puderam vê-lo por dez minutos, sem acesso ao processo ou possibilidade de defesa. O jovem foi preso na quinta-feira passada (13), em sua própria casa, acusado de ligação com protestos antigovernamentais na cidade de Karaj.
A família informou que as autoridades declararam a sentença “definitiva”, e a Hengaw diz ter sido notificada de que Soltani será executado por enforcamento, método mais usado no país.
A organização denuncia que o caso é mais um exemplo do uso da pena de morte como ferramenta de repressão.
“O tratamento apressado e pouco transparente deste caso aumentou as preocupações sobre o uso da pena de morte para silenciar protestos”, afirmou a entidade.
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Pressão cresce contra governo dos aiatolás
A escalada acontece enquanto tribunais especiais criados pelo regime analisam milhares de detenções após semanas de manifestações que tomaram várias cidades iranianas.
A ONG Iran Human Rights se declarou “extremamente preocupada” com o ritmo de julgamentos e alertou para o risco de execuções em massa de manifestantes.
Segundo estimativas informais citadas por autoridades e organizações monitoras:
- cerca de 2 mil pessoas morreram desde o início dos protestos
- mais de 10 mil prisões já foram registradas
- ONGs falam em 538 mortos confirmados, sendo maioria manifestantes
O regime nega responsabilidade e acusa manifestantes de “terrorismo”.
Por que os protestos explodiram
As manifestações começaram em dezembro, motivadas por crise econômica e inflação crescente, mas, diante da repressão, evoluíram para reivindicações mais amplas, incluindo:
- fim do regime dos aiatolás
- novas eleições
- garantia de liberdades civis
O governo iraniano reagiu com corte generalizado de internet, mobilização de forças militares e reforço da segurança nas ruas.
ONU e EUA reagem
Em Genebra, o Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, declarou estar “horrorizado” pela violência estatal e pediu ao Irã que respeite o direito de protestar.
Os Estados Unidos, por sua vez, voltaram a pressionar o regime. O presidente Donald Trump afirmou que o país está “pronto para agir” se a repressão continuar e sugeriu apoio a manifestantes.
Teerã sustenta que Washington e Israel estão “incitando o caos”, acusação rejeitada pelo Ocidente.
Com a internet interrompida no país, os números exatos da repressão seguem desconhecidos. Organizações de direitos humanos afirmam que relatos apontam para ação direta das forças iranianas contra multidões em protesto.
Enquanto o regime reafirma que a segurança nacional é “innegociável”, o destino de jovens como Erfan Soltani se tornou símbolo da crise iraniana — e pode desencadear uma nova onda de indignação dentro e fora do país.


