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Deportações de brasileiros bateram recorde e dobraram nos EUA no último ano

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Deportações de brasileiros bateram recorde e dobraram nos EUA no último ano

Mundo – No primeiro ano completo do segundo mandato de Donald Trump, os Estados Unidos intensificaram drasticamente a política de remoção de imigrantes irregulares — e os brasileiros sentiram o impacto com força. Dados oficiais da Polícia Federal brasileira apontam que 3.526 compatriotas foram deportados em 2025, mais que o dobro dos 1.660 registrados em 2024. O número representa o maior volume desde o início da série histórica, em 2020, e sinaliza uma guinada agressiva na abordagem migratória da administração republicana.

Ao todo, 37 voos fretados pelo ICE (Immigration and Customs Enforcement) pousaram em solo brasileiro ao longo do ano, transportando grupos que variavam de dezenas a centenas de pessoas por operação. O ritmo acelerado começou logo nos primeiros meses: o emblemático primeiro voo da “era Trump 2.0”, em janeiro de 2025, partiu da Louisiana e gerou polêmica internacional ao desembarcar em Manaus com deportados algemados e acorrentados, imagens que circularam mundo afora e motivaram intervenção do governo brasileiro — que proibiu a continuação da viagem da aeronave americana e providenciou transporte via Força Aérea para Belo Horizonte.

Os deportados são majoritariamente classificados pelo ICE como “violadores da imigração”: pessoas sem antecedentes criminais graves, mas em situação irregular nos EUA. Muitos, como o mineiro Aeliton Candido de Andrade, de 34 anos, acabam enquadrados após incidentes menores. Detido em Nova Jersey após uma briga em bar na qual nem participou diretamente, ele passou quase um ano detido em um centro de processamento na Pensilvânia antes de ser removido. “Eles te tratam como animal”, relata. “Prendem todo mundo igual, sem perguntar. E o medo maior é perder os filhos — muitos não conseguem recuperar a guarda depois.”

A escalada não se limita a números. Relatórios do próprio ICE mostram aumento significativo no uso da força por agentes entre 2022 e 2023 (período que abrange o final de Biden e o início da transição), com agressões físicas subindo mais de 100%, uso de armas de impacto crescendo 150% e emprego de agentes químicos subindo 21%. Casos extremos, como o assassinato de uma cidadã americana por um agente em Minneapolis em janeiro de 2026, reforçam as denúncias de abuso sistemático.

Para o Brasil, o impacto vai além das estatísticas. Quem retorna enfrenta reconstrução total: perda de bens, contas congeladas, documentos desatualizados e desemprego crônico. Muitos descrevem o processo como uma “queda livre” emocional e financeira, embora alguns, como Aeliton, consigam se reerguer com resiliência: “Foi um massacre, mas também um aprendizado. Hoje estou bem, apesar de tudo.”

Com o endurecimento migratório prometido por Trump continuando em 2026 — já foram registrados mais de 100 deportados brasileiros só nas primeiras semanas do ano —, especialistas alertam para o risco de novas ondas e para a necessidade de diálogo bilateral mais firme entre Brasília e Washington. Enquanto isso, famílias seguem separadas, histórias interrompidas e o sonho americano, para muitos brasileiros, cada vez mais distante.


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