Crise no Ueno Bank: mais de 3 milhões de clientes tem dinheiro bloqueado e protestos eclodem no Paraguai; veja vídeo
Brasil – Uma imensa crise financeira estourou no país vizinho do Brasil. A crise no Ueno Bank envolveu uma das maiores instituições bancárias do Paraguai. Como resultado, a falência iminente provocou uma onda de protestos violentos em Assunção. Além disso, a situação colocou em xeque a credibilidade dos órgãos responsáveis pela fiscalização nacional. Atualmente, a instituição possui cerca de 3 milhões de clientes ativos. Ou seja, o banco atende a seis em cada dez adultos paraguaios. Por causa disso, a autoridade interveio no Ueno após identificar graves problemas de solvência.
Protestos, clientes sem dinheiro e os recursos do Estado
Na última terça-feira (3), centenas de pessoas desesperadas foram às ruas da capital paraguaia. Os manifestantes exigiram a devolução imediata do dinheiro depositado nas suas contas. Entre as pessoas afetadas, encontram-se milhares de aposentados, trabalhadores e correntistas simples. Infelizmente, eles ficaram sem qualquer acesso após a suspensão de transferências bancárias, cartões e serviços.
Mais de 3 milhões de pessoas (60% da população adulta do Paraguai) perderam acesso a todas suas contas bancárias.
O fechamento do banco digital Ueno Bank fez o presidente do Banco Central renunciar. https://t.co/Mwnbg7sb3l
— Alex Moretti (@Alexmorettibr) November 5, 2026
De facto, a dimensão assustadora da crise chama a atenção do mercado internacional. Não apenas pelo número estrondoso de clientes atingidos no país. Mas também pelo volume gigantesco de dinheiro público que circulava dentro da instituição. Segundo os dados, a empresa administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos estatais. Inclusive, esse montante engloba polémicos depósitos milionários do Instituto de Previdência Social (IPS).
🚨Crisis en Paraguay: miles de clientes protestaron en Asunción para reclamar por sus ahorros tras la intervención de Ueno Bank
❗️ La Policía reprimió con gases lacrimógenos y camiones hidrantes a los manifestantes que se movilizaron por segunda noche consecutiva en Asunción. https://t.co/hEH3pLxmwL
— Filo.news (@filonewsOK) November 5, 2026
Balanço irreal, capital reduzido e as suspeitas policiais
Curiosamente, a intervenção pública provocou muitos questionamentos da sociedade local. Isso porque, poucos meses antes, o Ueno anunciou resultados financeiros extremamente positivos. Em março, por exemplo, a instituição realizou uma emissão internacional de títulos de US$ 350 milhões. Contudo, após ajustes contabilísticos rigorosos realizados pelas autoridades reguladoras, a realidade mudou. A situação económica real encontrada nos caixas era muito diferente da divulgada. Na verdade, o capital da instituição teria caído para menos da metade do mínimo exigido. Logo, essa avaliação revelou um quadro financeiro muito mais grave e desesperador.
Por outro lado, o Banco Central (BCP) já acompanhava os passos da empresa desde junho. A autarquia abriu uma grande investigação administrativa oficial no fim do mês de setembro. Ao mesmo tempo, ocorrem apurações judiciais sobre uma possível participação indireta em vendas irregulares. O esquema envolveria o financiamento de uma carteira de ativos do próprio grupo controlador.
Conflitos de interesse e a renúncia do chefe do Banco Central
Sendo assim, um dos pontos mais delicados deste episódio trágico envolve a política. Isso inclui a relação entre o banco, o governo e as autoridades responsáveis pela fiscalização. Por exemplo, o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, havia comandado o próprio Ueno até 2023. Pouco tempo depois, o atual presidente da República, Santiago Peña, nomeou-o para chefiar a autoridade monetária.
Evidentemente, essa situação bizarra levantou diversos questionamentos éticos sobre possíveis conflitos de interesse. Para piorar, o próprio presidente Santiago Peña teve participação societária milionária na Ueno Holding. A empresa atua diretamente com o grupo controlador da financeira suspeita. Apesar de Peña alegar ter vendido as ações, a pressão política aumentou vertiginosamente. Como consequência direta de todo o escândalo, Carvallo apresentou oficialmente a sua renúncia ao cargo.
Dificuldades no ressarcimento e o fantasma do Banco Master
Atualmente, a imensa crise bancária atingiu diretamente milhares de famílias no Paraguai. Afinal, cerca de 32 mil aposentados recebiam todos os seus benefícios pela instituição. Embora a legislação paraguaia preveja uma garantia de US$ 38 mil por cliente, há problemas. O desafio encontra-se nos valores superiores e na imensa dimensão dos recursos estatais sumidos.
Diante disso, o governo poderá recorrer ao dinheiro público suado para cobrir os prejuízos bilionários. Por fim, a crise paraguaia também despertou comparações inevitáveis com o Brasil. O caso escabroso do Banco Master segue roteiro parecido nos tribunais e na imprensa brasileira. Nos dois casos, a forte presença de recursos públicos em sistemas privados alerta para os riscos envolvidos.





