“Depois da chuva, vem o calor”: termômetros em Manaus devem ficar até 2°C acima da média em junho

Manaus – Junho marca o início tradicional do período menos chuvoso no Amazonas, conhecido popularmente como o verão amazônico, que costuma estender-se até o mês de outubro. No entanto, neste ano de 2026, a transição climática será caracterizada por uma dinâmica atípica, com chuvas intercaladas e volumes levemente acima da média nas porções sudoeste e centro-leste do estado, apresentando acumulados entre 5 milímetros e 60 milímetros além do esperado, de acordo com as projeções do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE). Para a capital amazonense, a previsão aponta para a ocorrência de pancadas de chuva rápidas e isoladas durante o período da tarde, frequentemente acompanhadas de trovoadas e rajadas de vento.
Os termômetros em Manaus devem registrar temperaturas de 1°C a 2°C acima da média histórica para esta época do ano. Segundo explica a meteorologista Andrea Ramos, a combinação da alta umidade proveniente da floresta com o calor projetado irá intensificar substancialmente a sensação de abafamento, que deve persistir inclusive durante o período noturno. Em decorrência desse clima pesado e do consequente desgaste físico, especialistas em saúde pública já alertam a população local para a necessidade rigorosa de reforçar a hidratação diária e adotar cuidados preventivos contra o estresse térmico.
Além do desconforto térmico na área urbana, o volume de chuva esperado para este mês terá reflexos diretos no ciclo hidrológico da região. A meteorologista Andrea Mendes esclarece que o aporte contínuo de água nas bacias hidrográficas localizadas no sudoeste e centro-leste do estado possui o potencial de desacelerar o início do processo de vazante. Essa condição meteorológica pode, inclusive, gerar repiquetes pontuais — fenômeno caracterizado pela elevação repentina e temporária do nível das águas — em grandes rios que cortam o estado, a exemplo do Rio Negro e do Rio Solimões.
Toda essa configuração atmosférica diferenciada é reflexo direto do aquecimento anômalo observado nas águas do Oceano Atlântico, aliado à chegada e estabelecimento do fenômeno El Niño, cuja tendência é de intensificação a partir do mês de agosto. Embora o El Niño seja historicamente associado a secas severas e extremas na região Norte do país, os seus efeitos neste mês de junho ainda se manifestam de maneira gradual e sutil. Na prática, o regime de chuvas atual atua como um amortecedor temporário, segurando o nível dos principais rios antes que a estiagem mais severa comece a consolidar sua força no segundo semestre.








