Brasil e Bolívia avançam em acordo para implantar linha de transmissão de energia
Brasil – A Presidência da República anunciou nesta segunda-feira (16) um novo passo na integração energética da América do Sul ao confirmar um acordo com o governo da Bolívia para viabilizar a construção de uma linha de transmissão que conectará os sistemas elétricos dos dois países. O entendimento foi firmado durante reunião bilateral em Brasília e prevê a criação de uma interligação entre o território boliviano e o estado de Mato Grosso do Sul.
Pelo projeto, a conexão elétrica deverá ligar a província de Germán Busch, no departamento boliviano de Santa Cruz, ao município brasileiro de Corumbá, cidade estratégica na região de fronteira. A proposta inclui a implantação de linhas de transmissão e subestações que permitirão o intercâmbio de energia entre as duas nações.
Do lado brasileiro, a iniciativa contempla a construção de uma estação conversora de frequência em Corumbá, com capacidade estimada em 420 megawatts (MW), além de aproximadamente 35 quilômetros de linhas de transmissão até o limite territorial com a Bolívia. Já no país vizinho, a rede seguirá da fronteira até uma subestação em Germán Busch, área localizada no sudeste boliviano e que faz ligação direta com o território brasileiro.
Estudos realizados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão responsável pelo planejamento do setor elétrico no Brasil, já preveem a implantação dessa interconexão. Segundo levantamento divulgado no ano passado, o investimento total estimado chega a R$ 7,06 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 2,79 bilhões seriam destinados diretamente à ligação internacional, enquanto R$ 4,27 bilhões devem financiar obras complementares para ampliar a capacidade de escoamento de energia e reforçar a confiabilidade do sistema elétrico no Mato Grosso do Sul.
O acordo estabelece que a troca de energia ocorrerá prioritariamente a partir de excedentes de geração disponíveis em cada país. O documento também abre a possibilidade de intercâmbios emergenciais em casos de contingências nos sistemas elétricos, reforçando a segurança energética regional.
Cada governo será responsável por financiar, implementar e operar as estruturas instaladas em seu próprio território, incluindo manutenção e remuneração das obras de infraestrutura necessárias para a interconexão.
A cooperação integra uma estratégia mais ampla de fortalecimento da integração energética sul-americana. Nos últimos anos, o Brasil tem ampliado parcerias com países vizinhos no setor elétrico. Em 2024, por exemplo, foi firmado um acordo com a Bolívia para otimizar a operação da Usina Hidrelétrica de Jirau, uma das maiores do país, localizada no Rio Madeira.
Durante a agenda bilateral em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que o avanço da integração regional depende da capacidade de cooperação entre os países sul-americanos, independentemente de divergências ideológicas. Ainda segundo a declaração, a participação do Brasil em encontros regionais nas próximas semanas deverá reforçar o debate sobre iniciativas conjuntas de desenvolvimento e infraestrutura no continente.
Com informações da Agência Reuters


