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Adeus Tigrinho: mais de 13,2 mil sites de bets saem do ar e dinheiro começa a ser devolvido ao brasileiros nesta semana

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Adeus Tigrinho: mais de 13,2 mil sites de bets saem do ar e dinheiro começa a ser devolvido ao brasileiros nesta semana

Brasil – A era das plataformas de apostas online chegou a um fim abrupto no Brasil. Nesta terça-feira (6), os sites de apostas saíram do ar em cumprimento a uma Medida Provisória do governo federal que proíbe o funcionamento dessas empresas em todo o território nacional. A força-tarefa já solicitou o bloqueio de 13.241 sites ilegais de apostas desde o dia 25 de setembro, alcançando uma média de aproximadamente 1.103 páginas bloqueadas por dia. Dos 188 sites que possuíam autorização para operar até segunda-feira (5), apenas um continuava ativo na terça-feira, e seu bloqueio já foi solicitado pelo Ministério da Fazenda.

Com as páginas derrubadas, o foco do governo e das instituições financeiras agora é o ressarcimento aos apostadores. O prazo para que os usuários realizassem saques voluntários se encerrou às 23h59 da última segunda-feira. A partir de agora, o cronograma segue da seguinte forma:

As empresas de apostas têm até quarta-feira (7) para enviar aos bancos e instituições financeiras os dados remanescentes de cada usuário, o que inclui o CPF e a conta bancária utilizada.

A partir da próxima sexta-feira (9), as instituições financeiras iniciarão os depósitos diretamente nas contas dos clientes para devolver os valores que estavam sob guarda das plataformas.

Bilhões a serem devolvidos e investigação de fraudes

No total, há R$ 1,325 bilhão aguardando devolução para cerca de 26,5 milhões de apostadores. Contudo, os dados oficiais revelam uma imensa desigualdade na distribuição desses recursos:

Existem 86,2 milhões de contas que possuem saldos muito pequenos, variando de apenas R$ 0,01 a R$ 0,99.

O valor somado de todas as contas que possuem menos de R$ 1 chega a R$ 15,5 milhões.

Em contrapartida, apenas 1% dos apostadores (cerca de 200 mil pessoas) concentra 80% do saldo total que está pendente de resgate.

A concentração é tamanha que 3,4% dos apostadores detêm 90% dos recursos que precisam ser devolvidos.

Enquanto a maioria dos usuários possui centavos em suas contas, o governo identificou cerca de 40 contas com saldos elevados, superiores a R$ 500 mil ou R$ 1 milhão. Esses casos específicos não passarão despercebidos: as autoridades farão investigações rigorosas sobre esses valores por suspeita de lavagem de dinheiro e possíveis vínculos com organizações criminosas.

Impacto nas famílias e disputa no STF

A ofensiva do governo não se limitou apenas aos sites, estendendo-se também para a remoção de conteúdos em redes sociais que somavam mais de 17 milhões de usuários. Foram alvos de pedidos de bloqueio plataformas como o Facebook (974 páginas), Telegram (900 canais e grupos), Instagram (560 perfis), TikTok (103 perfis), além de grupos no WhatsApp e um servidor no Discord.

De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a medida tem um impacto direto e positivo no orçamento das famílias brasileiras. Ele destacou que o governo havia identificado uma evasão de R$ 600 milhões a R$ 650 milhões por dia que saíam da poupança popular diretamente para o caixa das bets.

Apesar da fiscalização e do andamento do cronograma de devoluções, a batalha legal está longe de terminar. De forma paralela às ações federais, as empresas de apostas lutam no Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter a proibição imposta. O ministro Luiz Fux é o relator de diversos processos que questionam a constitucionalidade da medida provisória. O texto que proíbe o funcionamento das plataformas ainda aguarda votação no Congresso Nacional, sem data definida para ocorrer.


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