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Pais denunciam mortes de crianças e cobram investigação sobre suposta negligência em hospitais públicos do Amazonas

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Pais denunciam mortes de crianças e cobram investigação sobre suposta negligência em hospitais públicos do Amazonas

Manaus – Pais e familiares de crianças que morreram após atendimentos na rede pública estadual realizaram uma manifestação em frente ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) para cobrar investigação sobre supostos erros médicos, falta de estrutura e ausência de fiscalização nos hospitais infantis. A principal cobrança é para que os relatos sejam reunidos e apurados e para que a Secretaria de Saúde adote providências.

Monalisa Oliveira, mãe de Victoria, de 3 anos, afirmou que perdeu a filha após uma sequência de problemas durante atendimento no Pronto-Socorro da Criança conhecido como Joãozinho. Segundo ela, faltavam até insumos básicos para o acompanhamento da menina, que era diabética.

“A minha filha Vitória não volta mais. Mas a gente pode fazer algo para que outras crianças não venham a falecer.”

Caso Vitória

Monalisa relatou que a filha chegou ao hospital com a glicemia elevada e, segundo sua versão, teve o quadro agravado após uma sequência de erros.

A mãe afirma que não havia lanceta para medir a glicemia, que a criança teria recebido uma dose elevada de insulina e, posteriormente, uma medicação à qual seria alérgica. Vitória sofreu uma parada cardíaca, foi encaminhada à UTI, teve morte cerebral e morreu.

A mãe também denunciou problemas estruturais nos hospitais infantis, citando falta de materiais básicos, limpeza precária e equipamentos deteriorados. Ela pediu diretamente uma resposta das autoridades: “Pelo amor de Deus, façam alguma coisa! Nossas crianças estão morrendo!”

João Vítor tinha apenas quatro meses

Outra mãe presente na manifestação contou o caso de João Vítor, que morreu aos quatro meses, em julho de 2023. Segundo ela, o bebê havia sido internado com bronquiolite e já apresentava melhora quando recebeu uma medicação que, conforme sua denúncia, teria provocado uma arritmia cardíaca.

A mãe afirma que foram administradas 30 gotas de Atrovent e 0,2 de Salbutamol de uma só vez. Depois disso, o bebê teria passado mal, sido intubado e morrido horas mais tarde.

“Quando eu virei meu filho nos meus braços, meu filho estava roxo.”

Ela diz que buscou prontuários e perícias após a morte e contesta as causas registradas no óbito, atribuindo o agravamento do filho à dosagem da medicação.

Pai de Ágatha diz que levou filha três vezes ao hospital

Jonathan, pai da pequena Ágatha, também participou do protesto. Ele relatou que levou a filha ao hospital durante três dias consecutivos e que, segundo sua versão, a criança era atendida e mandada de volta para casa.

O pai afirma ainda que recebeu receitas para mais de sete medicamentos, mas encontrou apenas três disponíveis na farmácia pública. A dor de Jonathan atingiu um ápice devastador ao receber o corpo da filha para o velório.

Jonathan disse que, após a morte da filha, outras famílias entraram em contato relatando situações semelhantes. Ele cobra fiscalização da qualificação dos profissionais, dos medicamentos administrados e das condições de atendimento.

“Nós vamos continuar indo atrás por justiça.”

Durante a manifestação, outra mãe ainda alegou que profissionais sem especialização em pediatria estariam sendo colocados para atender crianças. A afirmação, segundo ela, teria sido relatada por uma parente da área da saúde. Essa denúncia também precisa ser oficialmente apurada e não há, no relato apresentado, confirmação independente dessa prática.

As famílias dizem que não querem apenas respostas sobre as mortes de seus próprios filhos, mas medidas para impedir novos casos. O pedido central é por investigação, fiscalização dos profissionais, melhoria da estrutura dos hospitais e responsabilização caso sejam comprovados erros ou negligência.


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