“Ela estava toda furada”: Pai denuncia negligência e tentativa do Hospital da Criança de encobrir morte de filha de 1 ano e 11 meses em Manaus; vídeo

Manaus – O luto da família da pequena Ágatha Luna, de apenas 1 ano e 11 meses, transformou-se em revolta após a trágica morte da criança no Hospital e Pronto-Socorro da Criança da Zona Oeste, no bairro Compensa. A menina, que deu entrada na unidade de saúde com queixas de dores abdominais, faleceu após o que o pai, Jonathan, classifica como uma sucessão de negligências e excesso de medicação. O caso trágico joga luz sobre a profunda crise do sistema de saúde estadual gerido pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), sob a responsabilidade do secretário Luis Alberto Saraiva Santos e da gestão do governador Roberto Cidade.
A dor de Jonathan atingiu um ápice devastador ao receber o corpo da filha para o velório. Entregue pela unidade hospitalar completamente embalada “como uma múmia”, evidenciando uma suposta pressa para despachar a vítima, o verdadeiro estado da criança só foi revelado em casa. Segundo o desabafo contundente do pai, ao desembrulharem a pequena Ágatha, o choque foi imediato: “Ela estava toda furada”. Ele relata que a bebê apresentava inúmeras perfurações nas mãos, nos dois braços, nas pernas, nos pés e até mesmo um acesso no pescoço, além de grandes manchas roxas e coloração amarelada na pele, sinais de um atendimento invasivo e desproporcional para uma criança que chegou lúcida e brincando.
A denúncia da família vai além da possível imperícia médica, esbarrando em graves acusações de intimidação e tentativa de ocultação de provas por parte da equipe do hospital. Diante dos questionamentos dos pais ao verem a filha sofrer paradas cardíacas, a médica plantonista adotou uma postura hostil. Em vez de prestar esclarecimentos básicos, a profissional trancou a porta da sala e ameaçou acionar o Conselho Tutelar contra os pais, usando falsas alegações sobre o pré-natal da mãe e o cartão de vacinas da menina. Logo em seguida, o hospital tentou forçar um sepultamento imediato através de um serviço funerário, recusando-se a acionar o Instituto Médico Legal (IML) para a devida autópsia.
A suspeita de encobrimento ganhou ainda mais força após a família intervir, registrar um Boletim de Ocorrência e garantir que o corpo fosse periciado pelo IML. A insistência revelou uma contradição alarmante: enquanto o hospital atestou às pressas que a criança teria morrido de hepatite e outras doenças sanguíneas, os exames preliminares da perícia apontaram apenas uma infecção estomacal. O cenário revoltante exige respostas rigorosas do Governo do Amazonas, que tem o dever de explicar como uma unidade infantil, sob a administração de Roberto Cidade, permitiu que uma bebê morresse suplicando por água, vítima de uma estrutura negligente e profissionais que tratam o luto com ameaças.

