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Paciente só consegue socorro no Hospital Adventista de Manaus após família acionar a polícia: “recusaram o convênio de saúde credenciado”

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Paciente só consegue socorro no Hospital Adventista de Manaus após família acionar a polícia: “recusaram o convênio de saúde credenciado”

Manaus – O que deveria ser um porto seguro para a saúde transformou-se em um cenário de coerção financeira e negligência administrativa na madrugada desta quinta-feira (19). Um paciente beneficiário do Plano Gama, em estado de urgência, teve o socorro condicionado ao pagamento imediato de valores exorbitantes, após o Hospital Adventista recusar o convênio — uma prática que, segundo especialistas, pode configurar crime de omissão de socorro.

A crise começou às 3h30 da manhã. Com o marido apresentando um quadro clínico que lhe rendeu a pulseira amarela (urgência), a família buscou a unidade acreditando na cobertura do plano. A resposta da recepção foi curta: o hospital não estaria mais atendendo o convênio.

Contudo, a versão oficial da operadora e as informações do aplicativo desmentem a unidade. Com protocolo em mãos e a confirmação de que o contrato segue ativo, a família viu-se em um “beco sem saída” burocrático. A solução oferecida pelo hospital? Pagar particular ou procurar outra unidade no meio da madrugada.

A polícia como única via de socorro

Mesmo após o pagamento de R$ 500,00 por uma consulta particular na esperança de agilizar o processo, o descaso continuou. O atendimento só foi destravado com a chegada da Polícia Militar, acionada pela esposa diante da inércia hospitalar.

“É inadmissível que, em uma situação de urgência, a prioridade não seja salvar vidas, mas sim garantir o pagamento antecipado”, desabafou a acompanhante.

Relatos indicam que os policiais advertiram o responsável administrativo sobre a ilegalidade da conduta, mas a resistência da unidade permaneceu inabalável quanto ao faturamento.

Máquina de cartão antes da medicação

O absurdo atingiu o ápice quando o paciente, já em um leito, teve sua medicação retida. O motivo? O hospital exigiu que uma máquina de cartão fosse levada até a família para o pagamento prévio de mais R$ 1.070,00 referente aos insumos médicos.

A postura do supervisor administrativo também foi alvo de denúncia. Ao ser questionado sobre a prioridade do atendimento sobre o lucro, o funcionário teria adotado um tom intimidador: “A partir de agora, a senhora não dirija mais a palavra a mim, porque eu não quero mais nem ouvir a sua voz”.

Retenção pós-alta e outras vítimas

O trauma não terminou com a melhora do paciente. Após receber alta médica às 7h, a família foi mantida na unidade por quase uma hora apenas para “conferência de pagamentos”.

O caso não é isolado. Durante o tempo em que estiveram no hospital, outro casal com uma criança enfrentava o mesmo dilema: a barreira financeira impedindo o acesso à saúde.

Análise jurídica e ética

A conduta relatada fere diretamente o Código de Defesa do Consumidor e as resoluções da ANS.

A lei é clara: Nenhuma instituição de saúde pode condicionar atendimento de urgência e emergência a qualquer tipo de garantia financeira (cheque-caução ou pagamento antecipado).

Omissão de Socorro: A recusa baseada exclusivamente em questões administrativas, quando há risco à saúde, pode gerar sanções penais e cíveis pesadas.

 


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