Estudantes são apontados como responsáveis por ataques políticos contra professores da UEA
Amazonas – Docentes das unidades do interior da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) estão sendo atacados neste período pós-eleitoral, em outubro de 2026.
Os campi em que as agressões ocorreram foram os dos municípios de Tefé, localizado a cerca de 523 quilômetros de Manaus, e de Tabatinga, situado a aproximadamente 1.108 quilômetros da capital amazonense.
A denúncia de violência política e intimidação contra os professores parte do Sindicato dos Docentes da UEA (Sind-UEA), que alerta para a escalada de ataques à categoria desencadeada pelas tensões políticas após o segundo turno das eleições presidenciais.
Os profissionais têm sido alvo de ofensas, ameaças, exposições vexatórias e perseguições motivadas por questões político-ideológicas contrárias ao resultado das eleições de 2026, partindo principalmente de estudantes.
Em Tefé, uma aluna do curso de Pedagogia realizou publicações de ataque no status do Whatsapp e, em seguida, ofendeu uma professora dentro da sala de aula.
Em outra situação, um professor foi alvo de ameaças em um grupo de mensagens também de viés político-ideológico contrário ao resultado das eleições de 2026, onde chegou a circular uma “lista de professores comunistas” da instituição.
Devido à gravidade do caso e à citação de seu nome nas mensagens, o docente registrou Boletim de Ocorrência (B.O.) e solicitou ajuda oficial do sindicato. Essas perseguições motivaram a criação imediata de um documento de orientação.
Manual de proteção jurídica para professores
Para blindar a categoria e orientar sobre como agir diante dessas agressões, o sindicato elaborou e disponibilizou o documento Informativo de “Proteção do Docente Contra Ataques Político-Ideológicos”, publicado neste 28 de outubro de 2026.
O material traça as orientações da Assessoria Jurídica da Sind-UEA para o enquadramento jurídico dos agressores e as providências cabíveis para a proteção do docente.
O manual esclarece que a hostilização de um professor por alunos encontra resposta em três vias independentes e cumulativas: a administrativa, a penal e a cível. Na via penal, condutas praticadas por alunos podem ser enquadradas como crimes de injúria, difamação, calúnia, desacato, ameaça, perseguição e até coação eleitoral.
Como o docente efetivo da UEA é considerado funcionário público para fins penais, ofensas proferidas em razão de suas funções têm a pena agravada.
No âmbito interno da universidade (via administrativa), os alunos agressores estão sujeitos a sanções que variam de repreensão por escrito a suspensão de até 30 dias e exclusão do regime discente, dependendo da gravidade do ato, como em casos de ameaças ou violência.
O informativo orienta os professores a não revidarem verbalmente no momento do ataque, focando na preservação rigorosa de provas, como capturas de tela do WhatsApp (URL, perfil, data e hora) e áudios, e na formalização imediata de denúncia escrita dirigida ao Reitor da universidade.
A assessoria jurídica do sindicato está a postos para acompanhar os procedimentos nas três vias e acionar a Justiça para garantir a responsabilização civil e criminal dos envolvidos. No âmbito interno da UEA, a Diretoria cobra formalização imediata da Comissão de Enfrentamento ao Assédio e às demais Opressões na UEA, acompanhada da construção de um protocolo institucional que estabeleça procedimentos de acolhimento, registro, encaminhamento e acompanhamento das denúncias, com garantias de confidencialidade, proteção contra retaliações e respeito aos direitos de todas as pessoas envolvidas.
Veja documento
Informativo-N.-056-proteção-do-docente-contra-ataques-político-ideológicos (1)





