Contas de luz acima do consumo revoltam moradores de Manaus e aumentam pressão sobre a Âmbar Energia
Manaus – Moradores de diferentes bairros de Manaus têm usado as redes sociais e plataformas de reclamação para contestar valores considerados excessivos nas contas de energia elétrica. Os relatos apontam faturas muito acima do padrão habitual das residências, supostos erros de leitura e cobranças incompatíveis com a quantidade de equipamentos utilizados pelos consumidores.
Em um dos casos tornados públicos, uma cliente inscrita no CadÚnico e classificada como consumidora de baixa renda recebeu uma fatura de R$ 818. O valor equivale a pouco mais de 50% do salário mínimo nacional de R$ 1.621 em vigor em 2026. A moradora questionou como uma família de baixa renda, com uma filha autista, conseguiria pagar a cobrança. Após a reclamação, a empresa informou que a fatura foi retificada porque não havia sido possível realizar a leitura regular do medidor.
Outro registro feito por uma moradora de Manaus mostra três contas consecutivas de R$ 1.089,49, R$ 865,24 e R$ 711,23. Somados, os valores chegaram a R$ 2.665,99 em três meses. Somente a menor dessas faturas representa aproximadamente 44% de um salário mínimo. A consumidora afirmou suspeitar de leitura incorreta, enquanto a distribuidora respondeu que, após a instalação de um medidor, a unidade passou a ser faturada pelo consumo registrado.

Também há reclamações de pessoas que passam o dia fora de casa e dizem utilizar poucos equipamentos, mas receberam cobranças consideradas fora da realidade. Em abril, uma moradora relatou uma fatura de R$ 323,69, quase 20% do salário mínimo, apesar de afirmar que usava basicamente geladeira, bebedouro e ventilador, recorrendo raramente ao ar-condicionado.
Os casos não se restringem a aumentos pontuais. Há ainda denúncias de cobranças em imóveis desocupados ou sem estrutura elétrica instalada. Uma reclamação registrada em fevereiro relata a emissão mensal de faturas para uma casa que, segundo a família, não possuía medidor, fiação nem fornecimento ativo. Em outro caso, um consumidor afirmou ter recebido cobranças superiores a R$ 10 mil por um imóvel que teria permanecido sem moradores durante parte do período questionado.
Os registros ajudam a dimensionar a insatisfação. Entre janeiro e junho de 2026, a Âmbar Energia Amazonas recebeu 224 reclamações no Reclame Aqui. A plataforma classificava a reputação da empresa como “ruim”, com nota média de 5,2 em dez. Apenas 53% das reclamações foram consideradas resolvidas, e cobrança indevida aparecia entre os principais problemas mencionados pelos consumidores.
A indignação aumentou porque muitas famílias relatam não ter alterado a rotina nem adquirido novos equipamentos que justificassem os saltos nas faturas. Em Manaus, onde o calor intenso torna ventiladores e aparelhos de ar-condicionado essenciais em muitas residências, uma cobrança próxima de metade do salário mínimo compromete diretamente despesas básicas com alimentação, medicamentos e transporte.
Em maio de 2026, a tarifa residencial teve reajuste de 3,79%, conforme decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica. O índice, entretanto, é muito inferior às variações relatadas por alguns consumidores, cujas contas dobraram ou apresentaram aumentos ainda maiores de um mês para outro. A própria Âmbar afirma que a mudança de controle da distribuidora não autoriza cobrança adicional e que os reajustes tarifários são definidos exclusivamente pela Aneel.

A diferença entre o reajuste oficial e os aumentos relatados reforça a necessidade de análise individual das faturas. Entre os fatores que podem alterar uma conta estão consumo maior, leitura acumulada, faturamento pela média, acertos de ciclos anteriores, bandeiras tarifárias, contribuição de iluminação pública e eventuais irregularidades no medidor. Isso não elimina, porém, o direito do consumidor de contestar valores que não correspondam ao histórico da residência.
A Âmbar Energia disponibiliza o telefone e WhatsApp 0800 701 3001 para reclamações relacionadas ao valor das contas, revisão de faturas e outros serviços comerciais. O consumidor deve guardar o número do protocolo, fotografar o medidor no dia da contestação e reunir as contas anteriores para comparar o histórico de consumo.
Caso a empresa não apresente solução, a reclamação pode ser encaminhada à ouvidoria da distribuidora, ao Procon, à Aneel e, dependendo do caso, ao Poder Judiciário. Enquanto as cobranças seguem sendo contestadas, cresce entre os moradores a cobrança por leituras mais transparentes, respostas rápidas e faturas compatíveis com o consumo real das residências.

