Cenário crítico: seca severa coloca 22 municípios do Amazonas em situação de emergência
Amazonas – O avanço implacável da estiagem no Amazonas já desenha um cenário de crise hídrica severa no estado. Um novo boletim divulgado pelo Governo do Estado e pela Defesa Civil nesta quinta-feira (1º de outubro de 2026) revelou que 22 dos 62 municípios amazonenses já se encontram em situação de emergência devido à seca dos rios.
Mais de 30 cidades também estão sob alerta ou atenção. Para mitigar os impactos, governo estadual intensifica o envio de purificadores de água para garantir o abastecimento de comunidades ribeirinhas isoladas.
O levantamento, que integra as ações de monitoramento do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, aponta um quadro de atenção para quase todo o território estadual: apenas nove municípios registram níveis de normalidade.
O Mapa da Seca no Amazonas
A descida acentuada do nível das águas afeta diretamente a logística, a economia e a sobrevivência de milhares de famílias. Um dos casos mais emblemáticos é o de Tonantins, onde a seca do Rio Solimões já atinge diretamente 32 comunidades locais.
De acordo com o mapeamento da Defesa Civil, a situação atual dos municípios se divide da seguinte forma:
- Situação de Emergência (22 municípios): Alvarães, Amaturá, Atalaia do Norte, Barreirinha, Benjamin Constant, Caapiranga, Carauari, Careiro, Coari, Eirunepé, Envira, Itamarati, Jutaí, Manacapuru, Maués, Novo Aripuanã, Presidente Figueiredo, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Silves, Tefé e Tonantins.
- Situação de Alerta (18 municípios): Inclui cidades como Barcelos, Parintins, Tabatinga, São Gabriel da Cachoeira, entre outras, que já sentem os impactos e se preparam para o agravamento da vazante.
- Situação de Atenção (13 municípios): Cidades como Iranduba, Humaitá e Manicoré, onde o monitoramento foi intensificado.
Normalidade: Apenas 9 municípios seguem fora do escopo de risco iminente.
Ações de Resposta e Acesso à Água Potável
Com os rios secando, o acesso à água de qualidade torna-se um dos maiores desafios para as populações ribeirinhas. Como parte da estratégia de prevenção e resposta aos impactos climáticos, o Governo do Amazonas tem focado na distribuição de equipamentos vitais para essas comunidades.
Ao longo de 2026, a Defesa Civil já realizou o envio de 167 kits de purificadores de água por meio do projeto Água Boa. O objetivo é evitar surtos de doenças de veiculação hídrica e garantir o consumo seguro para populações que perdem o acesso às suas fontes tradicionais de abastecimento durante a estiagem extrema.
Os purificadores foram destinados a 25 municípios estratégicos, cobrindo áreas desde o Alto Solimões até o Baixo Amazonas, como Amaturá, Parintins, Eirunepé e Autazes. A medida é uma força-tarefa para tentar minimizar os danos de um evento climático que, a cada ano, testa a resiliência do povo amazônida.




