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O paradoxo da escala 6×1: brasileiro apoia o fim do modelo, mas não quer pagar a conta, diz pesquisa encomenda pela Abrasel

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O paradoxo da escala 6×1: brasileiro apoia o fim do modelo, mas não quer pagar a conta, diz pesquisa encomenda pela Abrasel

Brasil – Uma nova pesquisa do instituto Datafolha, encomendada pela Abrasel e realizada no início de maio de 2026, revela um cenário complexo sobre a percepção pública das relações de trabalho no Brasil. Enquanto 64% da população declara ser a favor de proibir a escala de seis dias de trabalho por um de descanso (a chamada 6×1) , grande parte dos cidadãos admite o receio de que a mudança afete diretamente o próprio bolso e reduza a oferta de serviços essenciais, como a saúde e o comércio.

O estudo, que ouviu 2.004 pessoas em todas as regiões do país, escancara o dilema entre a empatia pelo trabalhador e as preocupações práticas da vida cotidiana do consumidor.

Empatia pelo trabalhador esbarra no bolso do consumidor

Os números mostram que o brasileiro enxerga claramente os ganhos sociais e humanos da medida. Para 73% dos entrevistados, o fim da escala 6×1 trará mais benefícios do que prejuízos aos trabalhadores. Essa empatia, no entanto, entra em atrito com a realidade do consumo.

A pesquisa aponta que 85% das pessoas se sentiriam afetadas caso os supermercados e o comércio em geral precisassem aumentar os preços para manter suas ofertas de serviços. Um impacto semelhante seria sentido na saúde: 84% afirmam que sofreriam reflexos se hospitais e clínicas também repassassem os custos para os preços. A mera possibilidade de redução nas equipes de atendimento médico já assusta fortemente a população, com 83% dizendo que isso afetaria suas vidas.

Supermercados no centro do furacão e alívio no lazer

Na percepção pública, nem todos os setores absorveriam a mudança com a mesma facilidade. Questionados sobre qual área de atividade econômica terá a maior dificuldade para se adaptar ao fim da escala 6×1, 27% apontaram os supermercados em primeiro lugar. Quando se observa o ranking completo das três áreas com maior dificuldade de adaptação, os supermercados continuam liderando de forma isolada, presentes em 59% das respostas, seguidos pelo comércio em geral (48%) e pelas clínicas e hospitais (44%).

Por outro lado, a população demonstra grande flexibilidade quando o assunto é o próprio entretenimento. A redução no horário de funcionamento de locais dedicados ao lazer não é encarada como um grande problema: 68% dos brasileiros garantem que não se sentiriam afetados caso os shoppings passassem a fechar mais cedo , e 65% dizem o mesmo sobre uma eventual redução de horário em bares e restaurantes.

Opinião resistente e o racha sobre o mundo corporativo

Um dado curioso levantado pelo Datafolha é a resiliência da opinião pública diante dos prós e contras. Durante a pesquisa, os entrevistadores apresentaram argumentos favoráveis à proibição (o aumento dos dias de descanso) e argumentos contrários (o risco de alta de preços e corte no funcionamento de serviços). Surpreendentemente, o teste de estresse não abalou os defensores da pauta: o apoio ao fim da escala 6×1 não só se manteve firme como oscilou positivamente, passando de 64% para 65%.

Contudo, há um racha evidente sobre como o mundo corporativo vai suportar a transição. A sociedade divide-se quase ao meio na avaliação do saldo para os empregadores: 44% acreditam que as empresas terão mais prejuízos do que benefícios, enquanto 43% enxergam o cenário oposto, acreditando em mais benefícios.

O rosto da escala 6×1

Para além das projeções, a pesquisa delineou quem é o cidadão que vive hoje essa rotina. Atualmente, 40% das pessoas inseridas no mercado de trabalho atuam na escala 6×1. O perfil demográfico desse grupo é majoritariamente mais jovem, com média de idade de 37 anos (contra 43 anos da população geral) , de escolaridade até o ensino médio (56%) e composto principalmente por pessoas autodeclaradas pardas (55%).


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