O lucro que mata! Venda de motos bate recordes na economia, mas transforma o trânsito em um verdadeiro cemitério
Manaus – A moto virou a escolha de muita gente que precisa encarar trânsito pesado, economizar tempo e chegar mais rápido ao trabalho ou em casa. Com a inflação subindo exponecialmente e os valores de combustível desproporciona aos gastos previstos do consumidor, o mais viável para fugir da demora de aplicativos ou tranporte coletivo, muitos mortoristas optaram por adquirir um veículo mais prático, a moto.
Com o mercado aquecido e diferentes formas de compra, os veículos de duas rodas estão cada vez mais presentes nas ruas. O problema é que, junto com essa expansão, os números de acidentes envolvendo motociclistas também acendem um sinal vermelho.
Já virou ‘rotina’ a discriminação sofrida pelos motociclistas pelos demais motoristas no trânsito que os julgam como inconsequentes e malucos. Isso não se aplica a todos os motoqueiros, mas a maioria merece o título, infelizmente.
Com base nisso e nas apurações de ocorrências no trânsito envolvendo motociclistas, verifica-se que a maioria dos casos é, de fato, culpa da imprudência do motoqueiro consigo mesmo e com os outros no trânsito.

Mas isso não impede a produção, pelo contrário. Só em agosto, a indústria brasileira produziu 204,1 mil motocicletas, crescimento de 9,8% em comparação com o mesmo mês de 2025.
Quase toda a produção nacional está concentrada no Polo Industrial de Manaus. De janeiro a agosto, já foram montadas 1,46 milhão de motos, o maior volume para o período em 18 anos.
E não é difícil entender por que tanta gente prefere a moto. Para quem enfrenta congestionamento todo santo dia, ela pode significar mais agilidade no deslocamento e praticidade para trabalhar.
Para muitos brasileiros, especialmente quem vive de entregas ou precisa cruzar a cidade várias vezes ao dia, a motocicleta deixou de ser apenas um veículo e virou ferramenta de trabalho.
Mais motos, preocupação maior no trânsito
Em Manaus, as mortes envolvendo motocicletas cresceram 19% nos cinco primeiros meses de 2026: foram 56 vítimas fatais, contra 47 no mesmo período do ano passado, segundo levantamento do IMMU.

Nas rodovias federais brasileiras, o cenário também preocupa. Entre janeiro e junho deste ano, a PRF registrou 16.346 acidentes envolvendo motocicletas, alta de 4,88% sobre 2025.
Mais grave ainda: 1.072 ocupantes de motos morreram, um aumento de 13,92% em apenas um ano. Quase metade dos acidentes atendidos pela PRF no primeiro semestre envolveu veículos de duas rodas.
Os números não significam, por si só, que o aumento da produção seja a causa direta dos acidentes. Mas mostram uma realidade que merece atenção: há cada vez mais motos circulando e o motociclista continua sendo um dos mais vulneráveis quando alguma coisa dá errado no trânsito.

A moto pode facilitar e muito a vida de quem precisa se deslocar. Só que a pressa para chegar não pode custar uma vida. Capacete, velocidade compatível, distância segura e respeito às regras deixam de ser simples recomendações quando quem está sobre duas rodas tem o próprio corpo como principal proteção.

