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O Custo da Corrupção: rombo no FGC por causa do Master, Will Bank e Pleno é quase a metade do lucro anual dos maiores bancos do Brasil

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O Custo da Corrupção: rombo no FGC por causa do Master, Will Bank e Pleno é quase a metade do lucro anual dos maiores bancos do Brasil

Brasil – A estabilidade do Sistema Financeiro Nacional (SFN) enfrenta um teste de estresse real em 2026. O efeito dominó iniciado com a liquidação do Banco Master em novembro passado atingiu um novo patamar nesta quarta-feira (18/02) com a queda do Banco Pleno. O impacto financeiro é tão severo que o montante que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) terá de desembolsar para cobrir investidores já consome quase 50% de todo o lucro líquido somado pelos quatro maiores bancos do país em 2025.

Enquanto Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil celebraram um lucro combinado de R$ 107,8 bilhões no ano passado, o buraco deixado pelo conglomerado Master e suas ramificações (Will Bank e Pleno) projeta um rombo de R$ 51,8 bilhões apenas em garantias.

A Anatomia do Abismo Financeiro

O FGC, que funciona como o “seguro” do investidor, está sendo acionado em uma escala raramente vista. A cifra de R$ 51,8 bilhões é composta pela soma das garantias elegíveis das instituições liquidadas pelo Banco Central: R$ 40,6 bilhões referentes ao Banco Master, R$ 6,3 bilhões ao Will Bank e, por fim, os R$ 4,9 bilhões do Banco Pleno.

Para se ter uma ideia da magnitude, esse valor representa 48,05% do lucro total dos “bancões” em 2025. Ou seja, seriam necessários quase seis meses de toda a geração de caixa do topo da pirâmide bancária brasileira para estancar o sangue provocado pelo colapso de instituições de menor porte. O Banco Pleno, por exemplo, detinha apenas 0,04% dos ativos do sistema, mas sua queda adiciona 160 mil credores à conta do fundo garantidor.

O Contraste com os Resultados dos Gigantes

O rombo bilionário surge em um momento de desempenho misto para os líderes do setor. O lucro de R$ 107,8 bilhões registrado pelos grandes bancos em 2025 representou uma queda de 4,4% em relação ao ano anterior, puxada principalmente pelo Banco do Brasil. A instituição estatal viu seu lucro líquido ajustado recuar 45,4%, fechando o ano em R$ 20,7 bilhões, impactada pela inadimplência no agronegócio e novas regras contábeis.

Na contramão, os bancos privados mostraram resiliência. O Itaú Unibanco manteve a liderança com um lucro recorrente de R$ 12,3 bilhões apenas no último trimestre de 2025. O Bradesco registrou crescimento de 20,6% no mesmo período, atingindo R$ 6,5 bilhões, enquanto o Santander reportou seu melhor resultado trimestral em quatro anos, com R$ 4,08 bilhões.

Liquidações em Série e Fraudes

A crise que agora atinge o Banco Pleno é o capítulo mais recente de uma sequência iniciada em 18 de novembro de 2025, quando o Banco Master sofreu intervenção do Banco Central diante de um suposto esquema de títulos falsos. Em janeiro deste ano, o Will Bank — que integrava o conglomerado — também foi liquidado por falta de solidez.

Nesta quarta-feira, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM. Segundo a autoridade monetária, a medida foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira, deterioração da liquidez e descumprimento de normas regulatórias. O Pleno já foi parte do conglomerado Master e pertence ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

O Que Esperar das Garantias

Embora o rombo seja bilionário, o FGC é capitalizado mensalmente por todas as instituições financeiras associadas, o que garante o pagamento dos investidores dentro dos limites estabelecidos (R$ 250 mil por CPF/CNPJ e por conglomerado). Os clientes do Banco Master já estão em processo de recebimento, enquanto os do Will Bank tiveram adiantamentos parciais. Para os credores do Banco Pleno, o pagamento depende agora do envio da lista detalhada pelo liquidante indicado pelo Banco Central.

O cenário reforça o debate sobre o risco moral e a vigilância necessária sobre bancos de médio porte que, embora pequenos em ativos totais, podem gerar passivos gigantescos ao sistema de garantias quando operam sob suspeita de irregularidades.


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