Haddad defende aumento do Imposto de Importação e diz: “não vai encarecer produtos”
Brasil – A oito meses das eleições, o governo federal decidiu abraçar uma pauta de altíssimo risco político. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, assumiu a linha de frente para defender o aumento do imposto de importação sobre mais de mil produtos — uma lista que vai de geradores industriais ao celular no bolso do cidadão. Com reajustes de até 7,2 pontos percentuais, a medida opõe a teoria econômica do governo à dura realidade do consumidor brasileiro.
A justificativa de Haddad é puramente protecionista e regulatória. O governo mira, sobretudo, produtos asiáticos que estariam entrando no Brasil abaixo do preço de custo para desovar estoques que encalharam nos Estados Unidos e na Europa.
“Ou você vem produzir aqui, e a gente produz tudo aqui, ou não vai poder concorrer nessa base de preço”, argumentou o ministro. A equipe econômica ressalta que mais de 90% dos itens afetados têm fabricação similar no Brasil e que o Ministério do Desenvolvimento (MDIC) poderá revisar ou até zerar as alíquotas se o mercado exigir.
O problema do governo é que a narrativa técnica esbarra na vida real. Celulares, computadores e componentes eletrônicos deixaram de ser itens supérfluos; são as ferramentas básicas de trabalho, estudo e comunicação da população. Taxar a tecnologia é taxar a rotina.
Essa desconexão gerou um tsunami de insatisfação digital, monitorado pela AP Exata Inteligência em Dados:
Rejeição em massa: 74,3% das menções nas redes sociais repudiam a medida.
Defesa isolada: Apenas 6,8% das postagens apoiam o aumento.
Reprovação consolidada: Ao isolar apenas as opiniões (retirando postagens neutras ou informativas), a taxa de rejeição dispara para alarmantes 91,6%.
O “Efeito Taxxad” e o custo nas urnas
O impacto eleitoral foi imediato. O apelido “Taxxad”, antes restrito a memes da oposição, consolidou-se no debate público como símbolo de um governo percebido com apetite para aumentar tributos e resistência para cortar gastos.
A oposição agiu rápido e de forma cirúrgica. Ao focar estrategicamente na comunidade gamer e nos jovens hiperconectados, transformou uma complexa disputa tributária em uma insatisfação emocional e direta. Para o governo, o desafio deixou de ser convencer o mercado sobre a saúde fiscal do país; agora, a missão quase impossível é convencer o eleitor de que pagar mais caro pelo celular hoje é um sacrifício necessário para a indústria de amanhã.


