Energia solar atinge 3 terawatts em tempo recorde com avanço de nações emergentes

Brasil – A capacidade global de energia solar atingiu a marca histórica de 3 terawatts (TW) em 2026, consolidando uma expansão em ritmo inédito no setor elétrico. A aceleração desse mercado é evidente no tempo necessário para alcançar cada marco: enquanto o primeiro terawatt demandou cerca de uma década para ser instalado, o segundo foi obtido em menos de três anos, e a marca atual de três terawatts foi superada em um intervalo inferior a dois anos. Esse crescimento exponencial reflete a competitividade econômica da fonte fotovoltaica, que se tornou uma das alternativas mais viáveis para a matriz energética mundial.
A dinâmica de investimentos sofreu uma mudança estrutural significativa nos últimos anos. Se o primeiro terawatt foi impulsionado principalmente por nações ricas por meio de pesados subsídios governamentais, a atual fase de aceleração é liderada de forma expressiva pela China e acompanhada por um salto na adoção em economias em desenvolvimento. Nações como Paquistão, Nigéria e Filipinas registraram um forte aumento na geração solar descentralizada em telhados, enquanto mercados menores, a exemplo de Cuba e Líbano, também avançaram rapidamente. Como reflexo dessa pulverização global, o número de países com pelo menos 1 gigawatt de capacidade instalada saltou de 42 em 2020 para 74 em 2025.
Apesar do forte ritmo de adoção, a indústria passa a enfrentar severos gargalos infraestruturais. Na China, a instalação de novos painéis superou a capacidade das redes de transmissão e armazenamento, forçando cortes na geração e gerando desperdício de eletricidade, o que leva analistas a projetarem uma iminente desaceleração nas instalações do país. Paralelamente, em regiões com alta penetração da fonte solar, como a Austrália e algumas áreas da Califórnia, o excesso de oferta durante o dia tem provocado distorções econômicas complexas, resultando em momentos de preços negativos para a energia nas negociações atacadistas.
Para equilibrar essa equação e contornar os desafios de intermitência, o setor elétrico tem direcionado pesados investimentos para sistemas de armazenamento. O uso de baterias de íons de lítio ganhou protagonismo por permitir que o excedente energético produzido sob a luz do sol seja guardado e comercializado ou utilizado durante a noite, estabilizando as redes. Mercados como Austrália, Paquistão e Filipinas já se destacam na integração massiva de sistemas de baterias às plantas solares, sinalizando qual será o novo padrão de infraestrutura exigido para a continuidade da transição energética.
Olhando para a próxima década, as projeções indicam um mercado ainda mais robusto e com uma nova configuração geopolítica. Estimativas da BloombergNEF apontam que o mundo poderá ultrapassar os 9 terawatts de capacidade solar instalada até 2036. O protagonismo deve se consolidar cada vez mais fora dos mercados tradicionais, com os países em desenvolvimento respondendo por mais de um quarto dessa capacidade, enquanto a fatia das nações ricas deve recuar para cerca de 20%. Contudo, para que os emergentes destravem todo o seu potencial de geração, o mercado global precisará superar barreiras financeiras e operacionais significativas, que vão desde a restrição ao crédito e escassez de mão de obra qualificada até a modernização dos sistemas de distribuição de energia.


