De olho no futuro, Petrobras volta a apostar no exterior antes de queda prevista do pré-sal
Brasil – Depois de quase uma década reduzindo operações fora do país, a Petrobras mudou de rota e voltou a olhar com força para o mercado internacional. A estratégia ganhou velocidade a partir de 2024 e avançou neste ano com novos projetos na África e na América Latina, em um movimento para garantir reservas para o futuro e diminuir a dependência do pré-sal brasileiro.
A estatal ampliou presença em países como São Tomé e Príncipe, Namíbia e Costa do Marfim, além de estudar oportunidades em Gana.
Na América Latina, a companhia também reforçou a atuação com a descoberta do poço Sirius, na Colômbia, e firmou entendimento com a mexicana Pemex para avaliar projetos no Golfo do México.
Por trás dessa corrida por novas áreas está uma preocupação bem clara: o pré-sal não vai produzir no mesmo ritmo para sempre.
Analistas estimam que a produção da Petrobras pode atingir um pico de 2,7 milhões de barris por dia em 2028 e, depois disso, entrar em trajetória de queda. A própria companhia trabalha com a expectativa de que, a partir de 2034, a produção do pré-sal comece a ficar mais limitada.

Para bancar essa busca por novos campos, a Petrobras reservou US$ 7,1 bilhões para pesquisas e exploração entre 2026 e 2030. Desse total, US$ 2,4 bilhões estão destinados a atividades que incluem oportunidades em terra e fora do Brasil.
É dinheiro pesado para tentar garantir que o petróleo continue jorrando também nas próximas décadas.
A volta ao exterior, porém, não vem sem dor de cabeça. Projetos internacionais enfrentam licenciamento ambiental, exigências regulatórias, infraestrutura e riscos políticos. Na Colômbia, por exemplo, a exploração exige consultas com comunidades e novas estruturas para transportar o gás. Já na Namíbia, autoridades chegaram a questionar uma operação envolvendo Petrobras e TotalEnergies.
A Petrobras afirma que qualquer novo investimento passa por análises técnicas, econômicas, ambientais e de risco. Ou seja, a ordem agora é abrir novas frentes, mas sem sair colocando dinheiro em qualquer buraco pelo mundo: a companhia tenta preparar o terreno para quando o pré-sal começar a perder força.




