Com o Brasil nas oitavas, bares e restaurantes projetam salto de 20% no faturamento

Brasil – A empolgação com a jornada da seleção brasileira rumo ao hexa tem se refletido diretamente nos caixas do setor de alimentação fora do lar. Com a classificação do Brasil para as oitavas de final da Copa do Mundo e o próximo confronto marcado contra a Noruega neste domingo (5), a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) projeta um aumento médio de 20% no movimento dos estabelecimentos em todo o país.
“Os bons resultados da seleção brasileira aumentam a expectativa do público e devem ajudar a manter os estabelecimentos mais cheios em julho”, destaca Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.
Setor prevê injeção de R$ 2,42 bilhões na economia durante o Mundial; vitória contra o Japão chegou a impulsionar vendas em 143%.
O Efeito Copa nos Números
O otimismo não é infundado e já reflete nas estatísticas das entidades do setor. A expectativa de lucro vai além dos dias isolados de jogos e afeta todo o bimestre.
Projeção Bilionária: Um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), conduzido pelo economista-chefe Fabio Bentes, estima que o faturamento do setor atinja R$ 2,42 bilhões durante a competição.
Comparativo Histórico: Esse valor representa uma alta de 15,7% em relação ao faturamento gerado na Copa de 2022 (R$ 2,09 bilhões).
Crescimento Padrão: Mesmo antes do início das eliminatórias, anos de Mundial já costumam garantir um acréscimo médio de 5,4% nas receitas de junho e julho em relação a anos sem o torneio.
O Sucesso do Jogo Contra o Japão
A força do torcedor foi comprovada na última segunda-feira (29), quando o Brasil venceu o Japão. Um levantamento da TOTVS Linx revelou que os bares viram seu faturamento disparar 143% na comparação com uma segunda-feira comum de maio. Em relação à média dos seis primeiros meses de 2025, o aumento foi de 91%.
Para Bruno Primati, diretor de Food Service da TOTVS Linx, o avanço da seleção para o modelo de “mata-mata” muda o comportamento do consumidor. “O início da fase eliminatória aumenta o engajamento do torcedor e o consumo fora de casa, o que beneficia bares e restaurantes”, explica.
Na Vila Madalena, tradicional polo boêmio de São Paulo, o clima é de casa cheia. Júlio Souto, proprietário de casas como o Seu Justino Bar, afirma que a procura por reservas para este domingo contra a Noruega já é significativamente superior aos jogos anteriores, provando que “a torcida pelo hexa também é uma torcida para que os bares recebam cada vez mais pessoas”.
Fôlego Extra em um Cenário de Recuperação
A injeção de receita proporcionada pela Copa chega em um momento vital para a saúde financeira do setor, que ainda lida com margens apertadas e pressões inflacionárias.
Segundo uma pesquisa recente da Abrasel realizada com mais de 2 mil empresários no final de junho, o cenário econômico atual dos estabelecimentos se divide da seguinte forma: 39% encerraram o mês de maio operando com lucro (uma leve melhora em relação aos 36% de abril). 41% registraram equilíbrio financeiro (receitas estáveis). 19% fecharam no prejuízo (uma queda em relação aos 21% do mês anterior).
Apesar de demonstrarem grande capacidade de adaptação, muitos donos de bares e restaurantes ainda enfrentam obstáculos. Apenas 8% conseguiram reajustar seus preços acima da inflação no último ano, e 37% das empresas entraram em junho com pagamentos em atraso — a grande maioria sufocada por débitos de tributos federais (75%) e estaduais (44%).
Para Solmucci, a continuidade do Brasil na Copa é a chave para prolongar o alívio no setor. “A Copa sempre muda o clima do país, e a expectativa é de que o Brasil faça uma grande campanha, chegue à final e conquiste o hexa para completar a festa.”


