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Belo Sun muda comando no Brasil e sinaliza fase de obras, ignorando disputas no Xingu

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Belo Sun muda comando no Brasil e sinaliza fase de obras, ignorando disputas no Xingu

Brasil – Nos últimos dias, os desdobramentos sobre a licença de instalação da mineradora canadense Belo Sun ganharam novos contornos. De um lado, há um embate jurídico sobre a validade das consultas aos povos indígenas. Do outro, a empresa emite sinais claros ao mercado financeiro de que considera a fase de aprovações superada, preparando-se para o início das obras.

O Embate no Judiciário e o Papel do TRF1

O imbróglio jurídico atual tem como figura central o desembargador Flávio Jardim, do TRF1. Em decisão monocrática (individual), o magistrado autorizou o restabelecimento da licença de instalação para a mineradora, considerando que a empresa estaria, ainda que aparentemente, cumprindo as exigências de consulta aos povos originários da região, como os Juruna e Arara.

Em resposta aos recursos do Ministério Público Federal e da Funai, que não reconhecem a validade dessas consultas, o desembargador determinou o envio do processo para o Núcleo de Conciliação do tribunal. A tentativa de acordo, agendada para o fim de junho de 2026, ocorrerá sem que os efeitos da licença concedida tenham sido suspensos.

Para o MPF, a medida é processualmente questionável. O órgão argumenta formalmente que a imposição de uma mesa de conciliação atua como uma “blindagem” da decisão individual do desembargador, impedindo que a 6ª Turma do TRF1 analise e possivelmente reverta a licença em um julgamento colegiado.

Reestruturação Corporativa: O Fator Adriano Espeschit

Alheia às críticas do MPF e às denúncias de entidades indígenas, a Belo Sun demonstrou pragmatismo perante o mercado financeiro. Em comunicado oficial divulgado em 8 de junho de 2026, a companhia anunciou uma mudança significativa em sua liderança no Brasil, marcando a transição para a “fase de construção” do Projeto Ouro Volta Grande.

O comunicado informou a saída de Adriano Espeschit do cargo de Presidente das operações brasileiras, posto que será ocupado interinamente pelo CEO global da empresa, Clovis Torres.

A saída de Espeschit neste momento específico lança luz sobre as estratégias corporativas em grandes empreendimentos na Amazônia. O executivo possui um histórico expressivo no setor de mineração, notadamente por sua atuação anterior como presidente da Potássio do Brasil, subsidiária da Brazil Potash.

No Amazonas, à frente do Projeto Potássio Autazes, Espeschit foi o principal articulador para destravar um licenciamento bilionário e altamente complexo. Ele conduziu as negociações diretas com o povo indígena Mura e o alinhamento com o governo estadual, culminando na obtenção da Licença de Instalação do projeto no primeiro semestre de 2024.

Em meados de 2025, com o terreno pavimentado em Autazes, Espeschit deixou a Potássio do Brasil e assumiu imediatamente a presidência da Belo Sun no Pará. Sua missão era clara: replicar a expertise de aprovações institucionais e relacionamento com comunidades para destravar o projeto de ouro no Xingu.

Próximos Passos

O anúncio da saída de Espeschit exatos doze meses após sua contratação, somado à declaração da empresa de que busca fortalecer a equipe para a fase de execução de engenharia, indica que a Belo Sun considera a etapa de licenciamento e lobby institucional concluída, amparada, até o momento, pela atual configuração das decisões no TRF1.


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