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Alta do diesel e seca dos rios ameaçam aumentar custos e pressionar abastecimento no Amazonas

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Alta do diesel e seca dos rios ameaçam aumentar custos e pressionar abastecimento no Amazonas

Amazonas – Cinco meses após o início dos ataques dos Estados Unidos ao Irã, os efeitos do conflito no Oriente Médio já começam a impactar a planilha de custos das empresas de navegação do Amazonas. Apesar da distância geográfica, a alta do petróleo e do diesel no mercado internacional também pressiona os custos do transporte fluvial no estado, principal meio de abastecimento dos municípios do interior.

De acordo com o índice Brent, principal referência mundial para o preço do petróleo bruto, o barril acumulou alta de 23% no último mês, passando de US$ 72 para US$ 95 no fim de julho. Segundo analistas, o valor pode ultrapassar os US$ 100 caso o conflito se agrave e haja fechamento dos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho.

Para o Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma), o impacto nas contas das transportadoras foi direto desde o início da guerra, em fevereiro. Isso ocorre porque o diesel utilizado pelas balsas representa entre 40% e 50% da planilha de custos dos fretes.

Segundo o vice-presidente da entidade, Madison Nóbrega, os preços dos combustíveis subiram rapidamente no primeiro semestre. Posteriormente, houve uma redução em razão de alguns impostos concedidos pelo Governo Federal, mas os valores ainda não retornaram ao patamar registrado antes do conflito.

“No fim das contas, os custos aumentaram 100%. O preço do diesel está 40% mais caro do que em janeiro e os custos operacionais também subiram e vão aumentar mais com a seca. Até o momento, as transportadoras estão segurando reajustes, mas se piorar a questão geopolítica, o custo do frete também subirá para manter as operações”, afirmou Nóbrega.

Seca e ICMS

Além dos efeitos do conflito no Oriente Médio, o período de seca dos rios amazônicos é outro fator que aumenta os custos das empresas de transporte fluvial.

Durante a estiagem, as viagens ficam mais demoradas e, em algumas bacias, como a do rio Madeira, a navegação noturna é proibida para evitar acidentes provocados por pedrais e bancos de areia.

Para evitar que os custos adicionais sejam repassados aos consumidores finais, o Sindarma defende que o Governo do Amazonas reduza o ICMS incidente sobre o diesel durante os meses de estiagem.

“O tempo das viagens dobra nesta época. Isso significa que os custos com combustíveis, equipamentos, tripulação e escoltas armadas contratadas pelas empresas para evitar os ataques piratas também dobram, enquanto a quantidade de carga transportada diminui porque o rio está menos profundo. Somando esses fatores com a guerra, o transporte fluvial no Amazonas e o abastecimento dos municípios pode viver um período muito complicado que vai se refletir na sociedade”, explicou o dirigente.

Ainda segundo Nóbrega, o Sindarma está elaborando um estudo técnico que será encaminhado ao Governo do Amazonas. O documento deverá apresentar dados sobre o aumento do consumo e dos custos dos combustíveis durante o período de seca.

A preocupação do setor é que a combinação entre a alta internacional do petróleo, o aumento do preço do diesel e as dificuldades de navegação durante a estiagem eleve os custos do transporte fluvial e, consequentemente, pressione o abastecimento dos municípios do interior do Amazonas.

 

 


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