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Wilson Lima faz Roberto Cidade de “aprendiz de governador” durante retomada de obras na AM-010; veja vídeo

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Wilson Lima faz Roberto Cidade de “aprendiz de governador” durante retomada de obras na AM-010; veja vídeo

Amazonas – O canteiro de obras da rodovia AM-010, na altura do quilômetro 66, foi transformado em um palco para um ensaio político onde a hierarquia do Executivo estadual pareceu, no mínimo, invertida. Em vídeos que circulam nas redes sociais, o ex-governador e atual pré-candidato ao Senado, Wilson Lima, hoje sem qualquer cargo na máquina pública, assumiu a postura de tutor, rebaixando o atual governador, Roberto Cidade, ao papel de um “coadjuvante de luxo” na própria administração.

Na peça publicada primeiramente por Wilson nesta segunda-feira (1º/6), a coreografia é reveladora. Vestido com colete de fiscalização e capacete, como se ainda despachasse da sede do Governo, o ex-mandatário monopoliza a narrativa e a câmera. Com um tom professoral que beira a condescendência, ele vira-se para Cidade e questiona: “O que vai ser feito aqui, meu governador, nesse trecho?”. A encenação expõe um governador que, em vez de ditar os rumos do Estado, é instado a recitar o roteiro aprovado por seu padrinho político.

A pressa de Wilson Lima em reivindicar a paternidade da obra, fazendo questão de frisar que a intervenção “foi iniciada lá atrás, no nosso governo”, escancara a dependência do pré-candidato em usar as entregas da atual gestão como palanque para sua corrida ao Senado. Sem a caneta, resta a Lima o capital político de Cidade, que aparenta aceitar passivamente o ofuscamento de sua própria autoridade.

O contraste tenta ser mitigado no material postado posteriormente nas redes de Roberto Cidade. Ali, a superprodução de marketing, ancorada no slogan “É pra já, é pra gente”, busca devolver ao governador o protagonismo perdido na gravação original. Com cortes ágeis e ênfase nos “mais de meio bilhão de investimentos”, Cidade tenta demonstrar envergadura de líder e capacidade de gestão. No entanto, a tentativa de afirmação esbarra na imagem de subordinação já cristalizada no vídeo do aliado, onde figura como mero repassador de cronogramas.

Para além da semiótica de subserviência, a excursão levanta sérias suspeitas sobre o aparelhamento da máquina do Estado. A presença ostensiva de um pré-candidato sem mandato posando como autoridade em uma vistoria de obra estadual testa a paciência da Justiça Eleitoral. O uso de maquinário, de servidores e de um canteiro financiado pelos cofres públicos como estúdio particular para alavancar uma pré-campanha ao Senado flerta de forma audaciosa com o abuso de poder político e econômico.

A dobradinha no asfalto da AM-010 revela a dura realidade dos bastidores: enquanto Wilson Lima tenta pavimentar sua rota para Brasília faturando os dividendos da estrutura governamental, Roberto Cidade ainda precisa provar aos amazonenses que deixou de ser o aprendiz e tem autonomia para comandar o Estado sem um fiscal por cima do ombro.


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