White Martins cobra dívida de R$ 20,7 milhões do Governo de Roberto Cidade após calote de Wilson Lima

Manaus — A empresa White Martins, responsável pelo fornecimento contínuo de gases medicinais para a rede pública de saúde do Amazonas, emitiu um ofício em tom de urgência cobrando um passivo milionário da atual gestão estadual. O documento, endereçado diretamente ao governador Roberto Cidade, revela que o Estado acumula uma dívida que ultrapassa a marca de R$ 20,7 milhões pelo fornecimento regular de insumos hospitalares essenciais. O montante cobrado é composto majoritariamente por débitos herdados da administração de Wilson Lima, referentes aos anos de 2024 e 2025, somados também aos atrasos de consumo corrente já no exercício de 2026.
De acordo com o expediente, protocolado no dia 31 de agosto de 2026, a dívida consolidada chega a exatos R$ 20.779.376,21. A companhia destaca que todo o material contratado, incluindo oxigênio e outros itens indispensáveis, foi devidamente entregue, recebido e atestado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM). Apesar da regularidade na prestação dos serviços que garantem o funcionamento de hospitais e unidades de pronto atendimento, a fornecedora afirma que vem enfrentando um grave e prolongado quadro de inadimplência que compromete o equilíbrio financeiro do contrato.
O texto do ofício detalha ainda um histórico de frustrações nas tentativas de negociação conduzidas pela empresa ao longo dos últimos meses. Entre maio e agosto deste ano, a White Martins realizou diversas reuniões presenciais e virtuais com o titular da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), Dario Paim, para tentar equacionar a questão de forma consensual. Uma proposta formal de parcelamento dos débitos atrasados de 2024 e 2025 chegou a ser oficializada no dia 2 de julho, mas o governo estadual não apresentou nenhuma contraproposta ou cronograma financeiro, limitando-se a alegar limitações orçamentárias.
Diante do esgotamento da via administrativa, a multinacional estabeleceu uma cobrança mais incisiva ao Governo do Amazonas. A empresa exige uma reunião presencial com o governador Roberto Cidade, sugerindo as datas de 14 a 17 de setembro, e estipulou um prazo de 72 horas para que o Executivo responda formalmente à solicitação de agenda. No encerramento do documento, a White Martins alerta que, caso persista a ausência de medidas concretas de pagamento, poderá acionar a Justiça e adotar as medidas contratuais cabíveis para resguardar seus direitos.

