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Vídeo mostra chegada de André Esteves e Luiz Pastore para reunião com Dias Toffoli no Tayayá Resort

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Vídeo mostra chegada de André Esteves e Luiz Pastore para reunião com Dias Toffoli no Tayayá Resort

Brasil – Um vídeo obtido e divulgado em 2025 pelo portal Metrópoles revela um encontro reservado ocorrido em 25 de janeiro de 2023 no Tayayá Resort, em Ribeirão Claro (PR), às margens da represa de Xavantes (divisa com São Paulo). Nele, o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli recebe o banqueiro André Esteves (fundador e sócio do BTG Pactual) e o empresário Luiz Pastore (dono do grupo Ibrame, do setor metalúrgico e de importações).

As imagens, capturadas em uma área privativa dos jardins do empreendimento, mostram Toffoli aguardando os convidados trajando camiseta azul-escura, bermuda cáqui e chinelos – um visual informal que contrasta com a formalidade habitual de suas funções no STF. Um helicóptero Eurocopter AS365 Dauphin (prefixo PT-PCT, avaliado em cerca de US$ 12 milhões e associado ao BTG) aterrissa no heliponto em frente ao ministro.

Primeiro desembarca Luiz Pastore. Toffoli o cumprimenta com um forte abraço e beijo no rosto. Minutos depois, desce André Esteves, recebido com aperto de mão seguido de abraço. Os três formam uma roda de conversa, todos segurando copos de bebida, em um ambiente de descontração aparente.

O material visual não inclui áudio legível ou transcrição de diálogos – o foco está nas imagens de chegada, recepção e interação inicial. O encontro exemplifica a rotina relatada por funcionários e ex-colaboradores do Tayayá: o ministro utilizava o local com frequência para receber figuras do mundo político, empresarial e jurídico.

Entre 2022 e janeiro de 2023, Toffoli registrou ao menos 168 dias de permanência no resort, em 19 ocasiões – média de uma visita a cada sete dias. O empreendimento, que dispõe de casa de luxo reservada, barco privativo e até estrutura de cassino com máquinas eletrônicas e mesas de blackjack (jogos proibidos no Brasil), era tratado por parte da equipe como “resort do Toffoli”. Documentos de registro empresarial apontam que irmãos (José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli) e um primo do ministro (Mario Umberto Degani) figuraram como sócios relevantes por meio de empresas como a Maridt Participações, sediada em Marília (SP), cidade natal do magistrado.

Em 2025, o controle do Tayayá mudou de mãos: as participações familiares foram vendidas ao longo do ano, culminando na aquisição pelo advogado Paulo Humberto Barbosa, sócio de dirigentes da J&F (dos irmãos Batista) e contratado pelo grupo em ações relevantes. Dois anos antes da transação final, Toffoli havia proferido decisão suspendendo o pagamento de uma multa de **R$ 10,3 bilhões** imposta à J&F. Mesmo após a venda, relatos indicam que o ministro e familiares continuaram frequentando o local em 2025 e 2026.

O episódio ganha relevância no contexto de outras aproximações: em novembro de 2022, Toffoli viajou em aeronave de Pastore para a final da Copa Libertadores no Peru, acompanhado do advogado Augusto de Arruda Botelho (defensor de Antonio Bull, ex-diretor do Banco Master). O caso do Banco Master, que envolveu contrato milionário com escritório ligado à família de outro ministro do STF, gerou debates sobre isenção e conflito de interesses na Corte.

André Esteves, por sua vez, mantém relações próximas com diversos atores do Judiciário, Executivo e Tribunais de Contas, embora não haja, à época do encontro, processos do BTG ou pessoais sob relatoria de Toffoli.

O STF não costuma comentar encontros privados de seus ministros, e as partes envolvidas não se manifestaram publicamente sobre o vídeo. A proximidade entre magistrados e grandes empresários, contudo, alimenta discussões recorrentes sobre transparência, códigos de conduta e os limites da interação entre Poderes e mercado no Brasil.

 


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