Vereador Salazar chama moradores de invasão no bairro Nova Cidade de ‘bando de porcaria’
Manaus – Um episódio de hostilidade e acusações pesadas marcou a atuação do vereador Sargento Salazar (PL) nesta semana, em Manaus. Durante uma visita ao núcleo 9 do bairro Nova Cidade, na Zona Norte, o parlamentar referiu-se aos moradores de uma ocupação local como um “bando de porcaria”. O caso, registrado em vídeo, gerou indignação pela forma desumanizada com que o político se referiu à famílias em situação de vulnerabilidade.
Além das ofensas verbais, Salazar fez uma afirmação considerada extremamente grave: o vereador relacionou diretamente os moradores das invasões ao tráfico de drogas, alegando que esses locais são integralmente controlados por facções criminosas.
A gravidade do fato: Ao lançar essa acusação de forma generalizada e sem apresentar provas, o parlamentar ignora a presença de trabalhadores, idosos e crianças que vivem nessas áreas por falta de opção habitacional. Essa narrativa acaba por “sentenciar” toda uma comunidade como criminosa, justificando uma postura punitiva em vez de assistencialista. O pior, muitas pessoas que vivem nessas condições também já votaram no vereador, acreditando que ele poderia ajudar a propor uma alternativa legislativa de moradia justa para essas pessoas em parceria com o poder executivo.
A postura de Salazar foi além do discurso. Nas imagens, o vereador aparece participando da destruição de estruturas improvisadas, como barracos e lonas. Em tom de confronto, ele disparou: “Vão trabalhando bando de porcaria ao invés de vocês ficarem invadindo área de preservação”.
Essa abordagem transfere para o cidadão mais pobre a responsabilidade total por um problema que é, na verdade, um reflexo do déficit habitacional histórico em Manaus.
As invasões na capital amazonense não são casos isolados de “má-fé”, mas fruto de uma falha estrutural do Estado. A ausência de programas habitacionais robustos e o crescimento desordenado empurram as famílias para áreas de risco ou ocupações. Quando um representante público criminaliza essas pessoas sem distinção, ele aprofunda o abismo social e ignora a raiz do problema.


